
Dois grandes ícones da indústria cinematográfica, agora irmanados. Na semana passada, a notícia que correu o mundo foi a fusão da Paramount com a Warner Bros. Um acontecimento avaliado em mais de US$ 100 bilhões, que englobará em um único estúdio as duas empresas. Como não poderia deixar de ser, um fato que levaria as duas companhias aos halteres da justiça.
Paramount Pictures, um dos principais estúdios de cinema dos Estados Unidos, durante décadas liderou o mercado exibidor, sendo um estúdio de Hollywood mais importante. Modernamente, por meio das novas tecnologias, buscou reinventar a forma de fazer cinema, a fim de enfrentar os desafios do novo século, inclusive o mercado distribuidor brasileiro, do qual eu e meu pai fizemos parte.
A mitologia hollywoodiana, aliada às festividades do “tapete vermelho” – perfilada pelas companhias Paramount, Warner Bros, Universal Pictures, Metro-Goldwyn-Mayer e tantas outras – somava o meu encanto pelo cinema norte-americano, no início de nossas vidas de exibidor com o meu pai. Isso, pelos idos dos anos sessenta. E, no começo dessa década, lá estava erguida e muito bem aparelhada mais uma de nossas salas de exibição cinematográfica, em Santa Rita. Com projeção em 35mm e exibições em Cinemascope, o antigo Cine Santa Cruz passaria a ser coisa do passado...
Lembro bem da inauguração do nosso novo cinema, o Cine São João, na avenida de idêntico nome, em Santa Rita. O acontecimento tinha para aquele garoto (no caso, eu) um significado ainda maior, e que representava uma das mais importantes sagas daquele cavaleiro de armadura e senhor de todas as guerras, “Severino do cinema”, meu seu pai. E, então, chegaria o grande momento: acomodado numa das primeiras filas de cadeiras, juntamente com alguns coleguinhas, no nosso cinema, com o fôlego preso e de olhos vidrados na tela, sob um ecrã em preto & branco e 35mm, que voava sobre nossas cabeças, indo projetar-se no fundo da sala, estava eu, tenso, à espera das primeiras imagens de “O Senhor da Guerra” (The War Lord), protagonizado pelo ator Charlton Heston, sob a direção de Franklin J. Schaffner e distribuído pela Universal Pictures. Filme inaugural do Cine São João, que mais tarde seria ampliado em mais outra sala: o Cinema.
APC: Homenagens póstumas
A Academia Paraibana de Cinema está de luto. Nessas duas últimas semanas faleceram dois de seus integrantes: o advogado Marcos dos Anjos Pires Bezerra, ocupante da cadeira 36 da APC, e o professor da UFPB e cineasta Jomar Muniz de Brito, membro honorário da nossa academia de cinema.
O presidente da APC, prof. João de Lima Gomes, em nome da entidade, estende condolências às famílias, parentes, colegas educadores e artistas da cena cultural brasileira, em razão desses falecimentos.