
Saindo um pouco do memorialismo sobre as nossas “coisas de cinema”, habitual abordagem desta coluna, hoje veremos o cinema sob outro ângulo: o imbróglio político e assustador do momento. Diria até deplorável, para não rotulá-lo de coisa mais grave, o que está acontecendo nos meios político-partidários do país.
Pois é, o cinema agora é a bola da vez também na política, sob interesses escusos e tendente a mascarar rios de dinheiro. Fato que vem envolvendo até os poderes públicos, sob as atenções do STF e da Polícia Federal, que têm se mostrado muito vigilantes sobre tais desmandos.
A mídia, sobretudo eletrônica, tem alardeado aos quatro ventos o curso das investigações, elencando algumas figuras dessa trama escabrosa para a realização do tal filme Dark Horse, tendo como personagem central um ex-presidente da República do Brasil. Na produção, um nome feminino de peso, mas logo abortado pelas investigações. Como também do deputado federal Mário Frias (PL-SP), fazendo o papel de produtor executivo e roteirista, além de articulador dos repasses das verbas para o filme no Congresso Nacional. E tudo estaria também agregado aos escândalos envolvendo o Banco Master de Daniel Vorcaro, enquanto o deputado Frias atuava na Secretaria da Cultura como integrante no ex-governo bolsonarista.
Segundo noticiou a imprensa, Dark Horse é um filme norte-americano, drama biográfico de 2026 dirigido por Cyrus Nowrasteh, que recebera alguns repasses de mais de 60 milhões, de um valor acordado de 134 milhões de reais. Pelo que se sabe, valores bastante altos para o orçamento de qualquer produção cinematográfica brasileira. E, conforme as investigações da Polícia Federal, os recursos do banqueiro dono do Banco Master eram direcionados para as empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados. Mas o que nos importa nesse escândalo todo é o envolvimento da figura de Mário Frias, antes ligada ao cinema, teatro e televisão. No cinema teve leve passagem, que me lembre, interpretando um surfista no documentário curta-metragem Mater Dei, em 2004, ironizando o “catolicismo exacerbado”. Mas foi na TV que Frias teve sua maior participação. Das ficções na Rede Globo, ele partiu para a realidade política do Congresso Nacional e, como deputado, se deu muito mal, aplicando o seu “ficcionismo” quando deveria ser sobre a realidade das coisas do interesse público e social.
APC: Acervo já disponível no Nudoc/UFPB
O presidente da Academia Paraibana de Cinema, prof. João de Lima Gomes, representando o Núcleo de Documentação Cinematográfica (Nudoc) da UFPB, informa que os acervos do núcleo já podem ser acessados de forma gratuita pelo link: https://vimeo.com/user246264145.
São mais de oitenta obras em super-8 digitalizadas no projeto do confrade Fernando Trevas, da APC, e de Lara Amorim, do curso de antropologia da UFPB. A partir de agora, os títulos ficarão em repositório climatizado no prédio da reitoria da entidade, na sala 11 do prédio administrativo.