É possível interagir realmente com o cinema?

Cinema é mais que simples inteligência artificial.
Foto: Cinema é mais que simples inteligência artificial.

O legítimo cinema (obra cinematográfica) é uma arte realmente de risco, porquanto está pronta e acabada quando levada à opinião pública. Agrada ou não agrada. 

Houve o tempo em que, alegando-se melhor “casamento” com o cinema, ousou-se interagir com a arte de maneira mais objetiva. Optou-se por não mais sermos um mero espectador passivo, mas um espectador inovador, diferenciado, que realmente conduzisse o então processo técnico audiovisual e sua narrativa ao assistirmos a um filme. Tentou-se fazer parte dele, ditando seus rumos como se fosse possível demarcar-lhe um final de agrado pessoal. O recurso da Terceira Dimensão foi uma dessas tentativas.

Lá pelos idos anos 60, eu e meu pai tínhamos salas de cinema, e já com vista aos novos aparelhamentos de exibição da nova performance 3D. Mas, lembro que não deu certo. Principalmente, não por causa de nós, empresas exibidoras de filmes e seus tradicionais equipamentos, mas porque cinema é indústria e, como tal, sempre foi realizado visando maior lucro, por meio de um mínimo que seja de comprometimento em suas estruturas de projeção. 

A questão, àquela época, seria: é possível interagir verdadeiramente com o Cinema? Essa é uma indagação que, ainda hoje, deve merecer séria reflexão. Isso, em relação aos atuais recursos tecnológicos, como Inteligência Artificial, quando elementos modificam ou influenciam a real Arte-do-Filme, adotando meios sofisticados e considerados “interativos”. Ou seria mais um modismo da indústria cinematográfica, que tem buscado maneiras de afirmação frente às mídias tecnologicamente mais avançadas, como a eletrônica?

No caso da mídia eletrônica, pode-se afirmar que, infelizmente, isso vem acontecendo. Não obstante, apenas na forma de se conduzir uma sessão pela internet, usando-se o recurso do controle remoto. Podemos alterar o sistema com apenas um “toque de tecla” — paralisando a sessão de um filme, ainda, alterando a velocidade natural da exibição ou mesmo suprimindo legendas e outros recursos próprios da apresentação, mas, jamais da essência narrativa e natural da obra. Assim, ainda acredito que seria praticamente impossível uma parceria transformadora de rumos da narrativa da obra original, em tempo real, entre um espectador e o filme exibido. Aí sim, isso é que caracterizaria, ao meu entendimento, a interatividade entre o assistido e o assistente.


A Academia Paraibana de Cinema se fez presente no Festival de Gramado deste ano, no Rio Grande do Sul, pela atriz paraibana e integrante da APC, Zezita Matos.

A atriz, que atuou no filme recentemente premiado com três Kikitos, “Leite em Pó”, tem representado bem sua Academia de Cinema nos diversos festivais em que tem participado. Zezita, que foi presidente da APC por dois mandatos, com notória atuação, continua fazendo bonito por onde passa. Parabéns, parceira!