
Inventividade, boa dose de ousadia, facilidades tecnológicas de criação se nos parecem motivos de sobra para que se possa estabelecer novas reflexões sobre que tipo de arte se constrói nos dias de hoje. A questão é: originariamente, onde começa e termina uma nova forma de arte?
No artigo anterior, legitimando não apenas o exercício cinematográfico como arte, mas a obra em si, afirmei que o cinema (filme) é uma arte de risco, porquanto, ao ser concluído, estaria pronto e acabado quando levado ao público. E que, mesmo com os processos evoluídos anteriores, como o 3D e os de hoje, o verdadeiro cinema sempre mantém sua integridade física como obra de arte. No caso da internet e seus confortos caseiros, com apenas um toque de controle remoto, mudamos a velocidade da imagem e é possível bloqueá-la, e só. Mas jamais mudaria a narrativa, essência do filme.
Dentro das muitas curiosidades que recebi via web (A.N.A - Paris), uma chamou-me a atenção, sobremaneira. Diz respeito ao cinema. Atividade artística havia muito entendida como de legítimo entretenimento, mesmo tendo sido criada sob inspiração e finalidade científicas. Anos mais tarde, em plena Revolução Industrial, evoluída por meio dos inventos dos irmãos Lumière e formalmente ordenada de acordo com as regras de então por David W. Griffith.
Pelo que sabemos, o primeiro filme considerado então “interativo” (não confundir com “inicializado”, a nova expressão informática) aconteceu na segunda metade do século passado. Isso, durante os eventos comemorativos de maio de 1968, durante várias exposições de artes, ciclo de debates, shows, manifestações em locações naturais no centro de Paris, justamente a cidade que deu luz ao cinema.
O projeto de então intitulado "Superbe Art” foi lançado pelo multiartista Tede Silvam, afirmando: “Paris é um espetáculo permanente em céu aberto; faltava aparecer alguém com experiência, coragem, disposição e talento para colecionar cenas e juntar, fazendo o que se convenciona chamar de filme”. No caso das inovações, o projeto, que se dizia pronto para entrar na história do cinema a partir da sua concepção em Paris e outras cidades próximas, que “seria o primeiro filme interativo do mundo”, com realização de cenas em tempo real, parece não ter vingado. Mas motivaria algumas novas formas de expressão, como IA, por exemplo. E aqui ficamos nós, curiosos mortais abaixo do Equador, na expectativa de que projetos assim sejam mesmo a revolução na sétima arte. Ou seria mais uma tentativa pirotécnica com o nome de cinema, sem atingir o verdadeiro sentido da Arte-do-Filme que bem conhecemos?
APC reúne sua diretoria na próxima quarta
A Academia Paraibana de Cinema, sob a direção do professor João de Lima, deve se reunir na próxima quarta-feira para cumprir mais uma agenda de sua programação para este mês. O encontro se realizará na sede da APC, em Tambaú. Na pauta das discussões, a retomada do número da revista Cine Nordeste e o seu respectivo lançamento.
A revista, criada inicialmente na forma impressa, na gestão de Wiles Leal na presidência e Alex Santos na vice-presidência da APC, agora será no formato eletrônico.