Pioneiros que fizeram o cinema paraibano

Severino Alexandre pioneiro do cinema paraibano.
Foto: Severino Alexandre pioneiro do cinema paraibano.

Dentre aqueles que fizeram e insistem, ainda hoje, em fazer cinema na Parahyba, estão os que enfrentaram no passado as limitações da própria arte ao levarem às suas telas os seus sonhos. Um desses personagens, pioneiro do nosso cinema, foi o meu pai, Severino Alexandre dos Santos, que no próximo dia 17 estaria completando seus 112 anos.

Natural de Alagoa Grande e morando inicialmente em João Pessoa, no bairro da Torre, na década de vinte, próximo à Estação de Bondes Cruz do Peixe (hoje Energisa), na esquina em frente onde depois seria construído o Cine Metrópole, logo cedo o menino Severino ficou fascinado pela Sétima Arte. Ainda adolescente, seguiu com interesse a criação das primeiras salas de exibição de filmes na capital paraibana, numa época em que o cinema ainda não tinha aprendido a falar.

Depois, foi morar na cidade de Santa Rita, quando se casou e começou suas experiências como projecionista, ainda na fase do “cinema mudo”, até o início da década de trinta. Nessa época, os filmes exibidos naquela cidade, no então Cine Independência, eram fornecidos por uma distribuidora na Rua da Areia, centro na capital paraibana. Durante quase meio século, Severino Alexandre dos Santos viveu o seu dia a dia cinematográfico em Santa Rita, trocando antes sua fábrica de café, fubá e colorau — quando fez parceria com um empresário também iniciante e hoje famoso, em Campina Grande — por uma “fábrica de sonhos” em celuloide.

“Seu Severino do Cinema”, como normalmente era conhecido na cidade de Santa Rita, influenciou gerações com os filmes e seriados que exibiu. Seu primeiro cinema foi o Santa Cruz, final da década de 40, no bairro do mesmo nome, um misto de projeção 16 mm e 35 mm; depois o São João, modernamente inaugurado em 1958 no centro da cidade, e mais um, o Cinerama, no vizinho distrito de Várzea Nova, todos construídos por ele próprio – dublê de arquiteto-construtor e exibidor cinematográfico. Posteriormente, ampliaria suas salas de exibição cinematográfica, com o apoio decisivo da família, sobretudo do seu filho mais velho, Alex Santos, que depois se tornaria cineasta paraibano e jornalista, com especialização na Universidade de Brasília. Hoje, ocupando a cadeira 5 da APC (Academia Paraibana de Cinema), cujo patrono é o seu pai, Severino Alexandre dos Santos.


Reunida na quarta-feira passada, sob a presidência de João de Lima Gomes, a diretoria da Academia Paraibana de Cinema, com a presença da professora Larissa Brito dos Santos, da UFPB (programação visual e revisora), discutiu e aprovou o Layout na nova revista Cine Nordeste, que será lançada no final deste mês.

A reunião aconteceu na sede da APC, em Tambaú, oportunidade em que foram lembrados os aniversários de nascimento, neste mês de setembro, dos patronos da academia, Wiles Leal e Severino Alexandre dos Santos.