“O cinema nunca vai acabar” – Será?

Fotografo Paraibano Walter Carvalho
Foto: Fotógrafo paraibano Walter Carvalho.

Tenho insistido sempre naquilo que escrevo, ou simplesmente repassei em sala de aula aos meus alunos, que o cinema que aprecio é um cinema de reflexão; um cinema de informação, sobretudo de conceitos, respeitoso aos princípios de sua própria “gramática” narrativa. Um cinema que me dê espaço de leitura à imaginação.

Jamais empolgou-me aquele cinema de pirotecnia cênica gratuita. Com a tecnologia subestimando a estética natural das coisas – que chamaria de desvario visual da realidade –, artificializando a razão, lógica formal e beleza daquilo que tenta mostrar cinematograficamente.

Sabido é, assim, que a Arte é uma forma de expressão humana a suscitar “n” interpretações. Não raro, ela houve de ser sempre inconclusa, a provocar uma nova e particular leitura de quem a observa, de quem a assiste. Mesmo que essa arte seja o cinema. Inacabado, sempre, a um “plasmar” estético e definitivo pelo seu público-alvo – o espectador. Por isso, o cinema é eterno!

O altercado acima, bom que se frise, ajusta-se à afirmação feita por um paraibano havia muito ligado ao cinema, respeitável profissionalmente no que atua, dentro e fora do país, que aprendeu logo cedo a deslumbrar-se com a estética dos ambientes e das pessoas. Seu nome é Walter Carvalho, ocupante da Cadeira 17 da Academia Paraibana de Cinema (APC).

Fotógrafo de cinema e tevê, em ambos os “fronts” Walter tem primado pelo valor da própria estética natural das coisas que registra, sem jamais se prender, apenas, ao “enganoso visual” do que escolhe e documenta. Veja-se o filme “Abril Despedaçado”, de Walter Sales, obra singular, onde a performance representativa naquilo que tange à imagem em movimento, sempre presente em todo seu trabalho – razão maior do próprio cinema –, terá sido por ele tratada com o asserto de quem não só olha a vida e a arte sob uma mera incipiência documental.

Todo esse arrazoado seria para confirmar afirmação de Walter Carvalho, quando sentencia, alto e bom som: “O cinema nunca vai acabar!”. Até porque, conterrâneo Waltinho, como é largamente sabido, “Cinema ainda é a maior diversão”. Um detalhe: o documentário nunca foi e jamais será encarado como entretenimento. Mesmo porque cinema é puro encantamento; é um écran de devaneios, de visceral ilusão… Vendo-se a questão por esse prisma, “olhar nem sempre a ver tudo”. A imaginação no realizar deve ir além do que registrar simplesmente imagens tidas como “reais”, simplesmente sob uma mera ótica de ordenação técnica documental.


Representando a Academia Paraibana de Cinema (APC), seu presidente professor João de Lima Gomes participou do Festcine Taperoá, realizado esta semana na cidade de Taperoá, interior da Paraíba. Ele se fez acompanhar do acadêmico João Carlos Beltrão, também da APC. O convite foi de Bebel Lelis para homenagear a memória do escritor Balduino Lelis, já falecido, também integrante da Academia de Cinema.

O evento foi uma produção de Raphael Rios, Mestre em Artes pela UFPE, com dissertação sobre autos populares no interior da Paraíba.