
Longe de conter os elementos formais de dramaturgia que a arte-do-filme exige para sua construção de início-meio-fim, parâmetros de linguagem de leitura também narrativo-visual, o Documentário não deve ser encarado como Cinema, não no sentido estrutural, como arte de entretenimento. Erro crasso é continuarmos admitindo ao mero registro audiovisual esse cogente, quando se entende a importância do documentário, sobretudo de longa-metragem, como um produto de interesse da pesquisa social cultural, jamais destinado à diversão.
Pesquisando mais uma vez sobre o trabalho de Eduardo Coutinho, cujo depoimento antecedeu à exibição de um de seus filmes mais recentes, nossa convicção fica mais clara sobre o documentarismo. E isso nos leva a firmar, ainda mais, a convicção pela justificativa do próprio realizador de “Cabra Marcado para Morrer” (memorável documento histórico de importante instante político da vida brasileira), de que o documentário não deve ser visto como Cinema, tendo em vista o seu significado e formação estrutural.
Isso me faz lembrar de quando filmamos – eu e Jureny Bitencourt – as imagens para o documentário “Parahyba” (o filme). No final, foram duas horas de material a cores, 35mm, que tivemos de reduzir para 12 minutos, até por exigência e norma da própria Embrafilme, que foi a distribuidora comercial do filme. E já na moviola, em São Paulo, com o montador João Ramiro Melo, foi um extenuante exercício de garimpagem de imagens…
Em verdade, no que diz respeito aos aspectos ficcional e documental do cinema, e oriundo que sou da atividade cinematográfica, eminentemente exibidora e de entretenimento, não me foi fácil digerir algumas mudanças e compreensões impostas pelos novos tempos e formas de comunicação. Não obstante isso, acabei por entender a verdadeira função do cinema, a de hoje especialmente, que é tão somente a da reconstituição dos fatos; jamais por meio de uma simples documentação. Entenda-se, lógico, a “reconstituição” como a representação, recriação ficcional dos fatos históricos de seus atores e de uma realidade. O que se deve entender, repito, é que o documentário tem uma outra função social, por tratar de uma realidade como ela se encontra quando foi filmada ou gravada, jamais como forma de entretenimento.
APC: Programa de interiorização no estado
A Academia Paraibana de Cinema, sob a presidência do professor João de Lima Gomes, vem desenvolvendo seu programa de interiorização e de apoio ao cinema em diversas regiões do estado.
Agora em maio será a vez da academia se fazer presente no município de Sumé, debatendo com Artur Lins e Ana Célia a obra que resgata o papel da caravana “Mostra Sumé de Cinema no Nordeste”. O evento acontecerá no próximo dia 14, organizado pela própria Ana Célia, sendo mais uma com a participação da APC no movimento de interiorização do cinema.