Américo Falcão no cinema

A passagem do zeppelin sobre a cidade parahyba foi reconstituída em américo.
Foto: A passagem do Zeppelin sobre a cidade Parahyba foi reconstituída em Américo.

De óculos com lentes grossas, de guarda-chuva dependurado em um dos braços e conduzindo sua pasta de couro sob a axila, com passos hesitantes, caminhava ele pela antiga Cidade de Parahyba, rumo à Biblioteca Pública do Estado, da qual era diretor, no antigo Largo das Mercês, cuja igreja hoje já não mais existe.

Sociável e expansivo, mas reservado e meticuloso algumas vezes, segundo disse sua filha mais velha, Marlinda Augusta Falcão Estrella, assim era o poeta santarritense de Lucena. Américo Augusto de Sousa Falcão, conhecido poeta paraibano, que este mês completa 85 anos de sua morte. Alguns amigos íntimos, que com ele conviveram as mudanças sociais, culturais e políticas, nas primeiras décadas do século passado, e que deixaram algum legado histórico, em memória escrita aos dias de hoje, afirmam que “o homem e o poeta caminhavam sempre juntos”. Postura essa que resultou em argumento para o premiado “Américo – Falcão Peregrino”, que realizamos em 2015.

Revestido de justa imortalidade pela Academia Paraibana de Letras, sua trajetória de vida e feitos culturais hoje são merecidamente lembrados. Não só pela poesia, que versejou e publicou tão bem em alguns livros, mas por outros segmentos da vida “parahybana” daquela época. Inclusive, por ter vivido os conturbados momentos do assassinato do seu “grande ídolo” e comandante maior, na presidência do Estado da Parahyba, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque.

A rigor, onde entra realmente o cinema na vida do nosso vate? Que relação teve o poeta com a grande arte “movie”, justamente numa época em que, como é amplamente sabido, o cinema ainda não tinha aprendido a “falar”? Verdade é que o poeta Américo Falcão teve, sim, forte envolvimento com o cinema de então. Inclusive, na produção de filmes, pactuando com um dos seus amigos influentes e cinéfilo conhecido ainda hoje, Walfredo Rodriguez. Agora, valorizando a remota condição do “flashback”, em preto & branco e em 16 quadros por segundo, recursos tecnológicos da imagem usados pelo cinema daquela época, foi que realizamos “Américo–Falcão Peregrino”. Obra que traz a “ousadia” de reconstituir a passagem do Zeppelin sobre a Cidade de Parahyba, que acredito, somente valoriza a história do cinema paraibano, podendo ser visto no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=JhrC-5yQx3M.


O seriado “Cangaço Novo”, já em sua segunda temporada, estreou na telinha na sexta-feira passada, trazendo em seu elenco vários nomes do cinema paraibano e da nossa Academia Paraibana de Cinema, pelo que a entidade se congratula com os seus integrantes. Dentre eles, Luiz Carlos Vasconcelos, Fernando Teixeira, com destaque para as confrades Zezita Matos e Marcélia Cartaxo.

A nova fase traz sete episódios, lançados de uma só vez, aprofundando os conflitos eleitorais no sertão, em disputa entre o cangaço, opositores e financiadores de um grupo criminoso. Tema bastante pertinente, se comparado aos dias de hoje.