
Esta semana, lendo o artigo do historiador amigo Zé Octávio em A União, falando sobre a tragédia que foi para a seleção brasileira, naquele 16 de julho, há setenta e seis anos, sua perda para a seleção Uruguaia, vieram-me algumas memórias ligadas ao cinema em Santa Rita.
Era tempo de Copa do Mundo de 1950. Diferentemente de seu habitual comportamento – calado, sisudo e muito calmo –, agora eufórico e pulando de pé em pé, chegara o nosso projecionista Manoel naquela noite, exultando: “Brasil! Brasil! Agora é um grande Maracanaço”. Sob espanto, ficamos eu e meu pai em nossa cabine de projeção, quando revisávamos o filme que seria exibido naquela noite.
Para meu pai, “Severino do cinema” (conhecido como tal), aquela era uma época de pouco entusiasmo, já que não se dizia muito fã de futebol, embora tenha sido até goleiro em sua juventude, quando sofreu em campo um acidente jogando em Mulungu, a cidade em que nasceu no interior da Paraíba. Abatido, pegou então as chuteiras de couro que usava, atirando-as sobre os galhos da frondosa mangueira, que ficava na frente da casa de sua noiva. Daquele dia em diante, resolveu trocar de vez o futebol pelo cinema. E naquele ano, mesmo jogando no Brasil, o Uruguai se consagraria um campeão do mundo, contrariando toda a euforia brasileira.
Anos depois, vimos uma Copa do Mundo trazendo a todos as alegrias somente partilhadas através do rádio, porque à época a televisão em Santa Rita era apenas um recurso por atingir. Lembro que a euforia foi tamanha na cidade com os jogos, que prejudicaria inclusive a sessão noturna do nosso cinema, provocando a insatisfação de meu pai. Não que ele não admirasse o futebol, só não aprovava a ideia de ter que fechar as portas de suas salas por falta de público, censurando: “Tudo demais vira fanatismo, até em futebol.” Desabafara ele, indignado, à sua esposa naquela noite, desprezando o ululante povaréu em seu refrão de rua, passando em frente ao seu cinema: “Em terras andinas, o Brasil é Mané (Garrincha) e mais dez!”.
E não seria, então, que meu pai aceitaria futebol em detrimento de seu cinema, mesmo que fosse Copa do Mundo. Com a festa do campeonato, nem mesmo seu exibidor concorrente, Salvador Guedes do Cine Avenida, tivera sessão naquela noite, pelo magistral feito dos jogadores da Seleção Brasileira. Agora, de forma precoce, a campanha do Uruguai na Copa do Mundo de 2026 chegou ao fim na última sexta-feira (26), ainda na fase de grupos. Que isso jamais aconteça, hoje, com o nosso Brasil.
APC anda recebe artigos para sua revista
A Academia Paraibana de Cinema continua recebendo inscrições dos artigos para a Revista Cine Nordeste. Publicação que esteve suspensa, mas que agora está sendo retomada. A informação é do presidente da APC, prof. João de Lima Gomes.
Os trabalhos devem vir assinados, com a devida autoria, podendo ser entregues na sala da Academia Paraibana de Cinema (APC), localizada à Avenida Nossa Senhora dos Navegantes, 122, na Unidade de Tambaú da Fundação Casa de José Américo (FCJA).