Resgatando uma arte de luz e sombras

APC recebe trabalhos ao retorno de sua revisra Cine Nordeste.
Foto: APC recebe trabalhos ao retorno de sua revisra Cine-Nordeste.

A história do cinema paraibano se confunde com a memória e o legado de seus mais ilustres visionários. Ratificado está o pioneirismo edificador de quantos viram na Arte-do-Filme, a partir do seu limiar, uma saída ousada aos seus próprios anseios criativos e projetos de construção artística. Exemplo desse princípio é o meu pai, “Severino do Cinema”, na cidade de Santa Rita.

Na verdade, são nomes que fizeram dessa arte um sacerdócio, sendo por isso ainda lembrados com muito carinho pelos que buscam se debruçar nos seus feitos, inicialmente artesanais, construtores do nosso cinema. Feitos hoje lembrados e homenageados, oportunamente, por uma instituição maior, a Academia Paraibana de Cinema, que busca continuar resgatando esse feito através de publicações como o da sua revista Cine-Nordeste.

Nicola Maria Parente, visionário que nos trouxe as primeiras imagens criadas através do cinematógrafo, pelos Irmãos Lumiére, ainda no apagar das luzes do século dezenove; o português Manuel Castro, que inauguraria o Cine Pathé, no local onde funcionou por muito tempo o Bar Duas Américas, no tradicional Ponto de Cem Réis, centro da cidade de João Pessoa, ou, ainda, o dinamarquês Einar Svendsen, que fundaria sua Empresa Cinematográfica Parahybana, são nomes que permanecem vivos na nossa memória de uma cinematografia que foi e será grande. Sempre grande!

Mas, o cinema mesmo chegaria igualmente com os grandes feitos da época, no rumo dos acontecimentos do início do século XX, inclusive tecnológicos, que modificariam gostos e atitudes da sociedade de então. Acompanhando o chamado progresso urbano da cidade, já se pensava em empresas organizadas de cultura. O cinema, além do teatro, daria o primeiro passo ao seu engajamento institucional, criando-se amplas salas de exibição fílmica, a exemplo do Cine Pathé, que após algum tempo de funcionamento haveria de dar lugar a outro cinema: Morse. Depois, sob a responsabilidade de outro dono, o também pioneiro Henrique de Sá. Nesse contexto histórico, o cinema vem se confirmar como mais um instrumento também de dominação social, dada a sua manifesta dependência político-cultural; e não menos econômica. Mesmo assim, no início do século, a comunidade ocidental do Terceiro Mundo, inclusive a nossa, assimilaria entusiasmada o novo invento não apenas como uma forma de lazer, mas como um poderoso agente repassador da sua própria identidade e condição humana e histórica. Quiçá, a real função social do verdadeiro cinema.


Esta semana, após uma reunião do conselho da APC e combinar com o prefeito de Cabaceiras, sugerindo uma homenagem naquela cidade ao ex-presidente e fundador da Academia Paraibana de Cinema, Willis Leal, ficou acertado que haverá uma reunião sobre o assunto, passado esse período junino.

Conforme o presidente da entidade, professor João de Lima, haverá uma pauta a ser discutida com o representante do município de Cabaceiras, só aguardando agora a definição do local e hora da reunião desse encontro.