Passeio virtual por Paris de luzes e encantamento

Produtor Alexandre Menezes em uma das locações de “A Suspeição”.

Paris sempre me foi o mais legítimo dos cinemas. Vivendo com meu pai dessa arte havia anos, ainda jovem busquei empoderamento cinematográfico no Cahiers du Cinéma, revista editada na França a partir dos anos 50, tendo como um dos idealizadores o crítico André Bazin. Justamente, quando eu já cursava a Aliança Francesa, nos tempos de Jacques Ramondot na presidência, lá no Parque da Lagoa.

Este prólogo é simplesmente para justificar o meu apreço pelo que o cinema tem de mais belo, que são as imagens; a sua cenografia. E Paris nos contempla com uma gama encantadora delas, mesmo nos tempos de hoje. Não importando muito em que trama a obra cinematográfica possa se apoiar; o cenário será sempre o da “Cidade-Luz!” – encantador e cheio de histórias…

Lançada no início deste mês pela Netflix, a minissérie americana em dez capítulos Emily em Paris é um colírio aos olhos de apaixonados pela cidade, como sempre fui. E pendengas à parte, se é uma comédia romântica, se trata de tema açucarado ou não, se cheia de clichês, trejeitos franceses pirraçados muitas vezes sob preconceito, inclusive pelos deslumbrados do Tio Sam, o fato é que Emily nos encanta. Justo hoje, quando continuamos exaustos de tanta pirotecnia grotesca, de previsões sociais e virtualmente “futurísticas”.

Emily em Paris me lembra um outro exemplar que assisti há algum tempo, de mesmo naipe, French Toast, lançado em 2015, sobre uma jovem que vive com o pai nos vinhedos próximos à Cidade do Cabo, na África do Sul, e que viaja à Paris na busca do familiar que se perdeu no tempo. O filme também revê a cenografia parisiense, impondo uma certa magia visual do próprio cinema.

Nessa narrativa de uma visita à Paris, recordo de algo que já iniciei há alguns anos atrás (mas, continua inconcluso), o audiovisual “A Suspeição” (Le Soupçon). É a história de uma jovem escritora e fotógrafa paraibana, que vai pela primeira vez à Paris para concluir um estudo sobre a cidade de seus encantos, para o livro que está escrevendo. Durante sua permanência na cidade, depara-se com algumas situações inusitadas, sobretudo em Montmartre, na Basílica de Sacré Coeur. Mas é mesmo na Livraria Shakespeare, às margens do Sena, que se confirma sua real “desconfiança”, sobre alguém que lhe segue os passos, e só vindo a saber o porquê no final da sua viagem. Independente do clichê temático, o que importa mesmo é a exuberante cenografia de Paris. E nosso alvitre se concentra nisso, a partir do encantamento visual da protagonista sobre a cidade do seu maior encanto.

Vendo agora Emily em Paris, as avenidas, ruas e vielas, ainda seus marcos tão simbólicos, como a Ponte Alexandre III, o largo do Trocadero, Notre Dame, Torre Eiffel, também Versailles, revejo lugares que serviram de locações em algumas gravações que realizamos. Lembro, ainda, da estreita Rue Saint Didier e seu hotel onde ficamos hospedados com toda a equipe. Mas, aí é uma outra história… Em tempos de clausura forçada (leia-se: Covide-19), o melhor mesmo é arejar a mente com meros streamings, sem maiores preocupações de síntese reflexiva, se o que assistimos é ou não uma obra de arte. “O cinema ainda é a maior diversão”, expressão que se notabilizou em tempos não muito idos. Vejam Emily e se apaixonem! Também, por uma Paris de muitos e cobiçados sonhos; mesmo que de longe e com o uso de máscara…


APC: Vida e obra de seu Patrono

Academia Paraibana de Cinema – Cadeira 34, Patrono: Cilaio Ribeiro (Ocupante Luiz Carlos Vasconcelos). Principal atividade artística de Cilaio foi a de ventríloquo. Durante mais de meio século, uma das atrações principais da Festa das Neves. Eram as apresentações de Cilaio Ribeiro e seus bonecos. O mais conhecido era o boneco Benedito que arrancava gargalhadas das crianças e também dos adultos. Manteve por muitos anos o programa “Vovô, conte uma história”, na Rádio Tabajara. Atuou em várias peças de teatro. No cinema participou de dois filmes de longa-metragem: “Menino de Engenho” em 1965 e “O Salário da Morte”, em 1970. Paraibano de João Pessoa-PB, nasceu em 04/12/1902 e faleceu nesta mesma cidade na segunda metade do século 20.

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