Mera utopia, uma indústria de cinema na Paraíba

Chaplin, símbolo do cinema como indústria, desde os seus primórdios.
Foto: Chaplin, símbolo do cinema como indústria, desde os seus primórdios.

Vejo com simpatia as medidas anunciadas atualmente pelo governo para a atividade audiovisual em nosso estado, quando de um evento acontecido há duas semanas no Centro Histórico desta Capital. Embora veja também muito mais como retórica governista, quando se anuncia ser o edital destinado à “Indústria Cinematográfica, com foco na produção de cinema, filmes e séries”, para se justificar a destinação dos recursos.

Ora, tratar o cinema paraibano como “indústria”, acredito ser pretensão até demais. Sobretudo, quando sabemos que o nosso cinema jamais galgou esse patamar, que é o de uma real indústria cinematográfica. Mais ainda, com recursos de apenas R$ 3 milhões, como está sendo anunciado pela Secretaria de Cultura do estado.

Sobre os editais e seus valores, existem algumas questões a serem então analisadas. Não que tais recursos não sejam necessários a um apoio sistêmico da atividade audiovisual. Mas, no que diz respeito à forma como são alocados, para quem e quando. Principalmente em anos eleitorais como os que se nos avizinham. 

Muito temos observado esses aspectos, sem jamais esquecer o lado mais glamouroso, qual seja o do uso da Cultura através das formas artísticas mais diversas e que se conseguiu imprimir até hoje. Acreditamos na chamada “Cultura Institucional” como modo de valorizar e apoiar as manifestações culturais. Só que isso não tem chegado para todos, porquanto, entre a filosofia da instituição cultural e o seu ato em si, meramente administrativo, claro, existem longos caminhos.

Por ser uma “Arte de Luz”, como sentenciara o genial Federico Fellini, a rigor, ela não é só de cenas claras e brilhantes, como se tem na televisão. Ela é muito mais diáfana, sublimada, quando exercida através do cinema. Por isso, continuo afirmando: o grande mistério do Cinema está nele mesmo; no seu mito, que nos enleva e transporta. E, contextualizando sobre a desavisada expressão “indústria de cinema”, existe uma certa sofisticação em tudo que se tem anunciado. Atualmente, uma medida aprovada pelo governo federal, assegurando recursos à produção de cinema na Paraíba, que acredito ser necessária e de bom tom, vem sendo confundida como “indústria de cinema.” Expediente que realmente, entendo como uma mera utopia.


A Academia Paraibana de Cinema (APC), representada pelo prof. João de Lima Gomes, estará no próximo mês na reunião da chefia do Departamento de Comunicação da UFPB. O encontro será ordenado pelo professor Dinarte Varela, coordenador do projeto “Alumia”. A reunião será realizada com a chancela das entidades do evento “Dia de Aruanda”, no dia 17 de setembro.

Recentemente, a academia de cinema participou dos debates sobre o documentário “O Nordeste sob a Caravana Farkas”, no cineclube da FCJA, uma produção paraibana, que teve incentivos da Secretaria Estadual de Cultura da Paraíba, via Lei Paulo Gustavo do Ministério da Cultura.