
Existem coisas que, quando modificadas em sua origem, ganham uma feição curiosa. Diria até estranha, para não dizer ridícula. Isso, em razão de uma transformação brusca, de sua real e já consagrada tradição para um modismo, simplesmente justificado como sendo “reforço ao formato híbrido que tem aproximado ainda mais o público do evento”.
Há quem tenha afirmado, conversando comigo (razão da publicação do artigo de hoje), que “esse novo formato do festival só vem agora para tentar desdenhar a perda de prestígio do verdadeiro Aruanda”. Em parte, reforço a opinião do amigo, acrescentando que o festival sempre existiu para celebrar o feito do cineasta paraibano Linduarte Noronha, naquilo que lhe foi o mais importante: o Cinema.
O Festival Aruanda do Audiovisual Brasileiro, já na sua 21ª edição, a exemplo do ano passado, continua deixando sua forma original de exibição, só em salas de cinema, para ganhar as areias da praia de Tambaú. Pior ainda, ostentando nova marca: “Aruanda Praia”, ganhando assim o novo formato da “carnavalização”.
Essa mudança do vinho para água, literalmente, seria perda de status de sua origem? De um cinema que sempre nos conduziu a um nível soberano e de sonhos? Ou terá sido perda de sua importância como entretenimento – “arte singular” e de aspirações transformadoras de vida, a partir da exibição de seus écrans em nossas salas de cinema?
Sinceramente, ponderemos um pouco sobre as tais mudanças, já que a opinião do cinéfilo e inconformado amigo deve ser também considerada, quando defende a forma original do festival Aruanda. Mesmo assim, ainda acredito no festival, quando resguarda parte de sua programação às salas do Cinépolis do Manaíra Shopping. Igualmente, ao rever a filmografia paraibana, como é o caso deste ano, homenageando as obras dos realizadores Vladimir Carvalho (Rock Brasília: era de ouro) e Marcus Vilar e Cacá Teixeira (Jackson: na batida do pandeiro). Eventos cinematográficos hoje mostrados musical e alegoricamente nas areias da praia de Tambaú. Agora, mesmo que as tais mudanças possam ser (ou não) uma tentativa apenas de “gerar uma química muito positiva”, junto aos frequentadores do festival, como afirma a direção geral do certame, ficam alguns desagrados.
APC recebe pós-graduados em pesquisa
A Academia Paraibana de Cinema, no início deste mês, recebeu em sua sede na Fundação Casa de José Américo, Unidade de Tambaú, mestres e doutores da própria FCJA, para trabalho de pesquisa e discussão cultural.
O encontro foi coordenado pelo presidente da APC, prof. João de Lima Gomes, com a participação de alunos graduados em cinema e arqueologia da Universidade Federal da Paraíba. Na oportunidade, foram discutidos também assuntos sobre a nova edição da revista Cine Nordeste.