“Vegetalismo” em Virgínius como cenografia de cinema

Virginius da Gama e Melo e o vegetalismo no ciema.
Foto: Virginius da Gama e Melo e o vegetalismo no cinema.

A Natureza, com todos os seus elementos “cênicos”, sempre me foi muito simpática a um “olhar” cinematográfico. Talvez, por isso, tenha tido inclinação por preferir filmar (ou gravar) no campo. Trata-se de um impulso muito natural, se reexaminado todo o meu trabalho, desde “Os Pescadores do Sanhauá”, “O Ciclo da Mandioca”, sobretudo “Arribação”, todos do final dos anos sessenta.

Veja-se, então, essa minha preferência pelos primeiros encantamentos que tive ainda quando criança, que dava preferência aos filmes de “cowboys” exibidos nos cinemas do meu pai (“Seu” Severino Alexandre do cinema). Mas ainda, das observações preferenciais advindas também de leituras regionais típicas, que me fizeram a cabeça logo cedo. A exemplo de Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Câmara Cascudo, os nossos Zés Lins e Zé Américo, também o poeta Américo Augusto de Sousa Falcão, da nossa tão praieira Lucena. Sobre ela e seu poeta que me motivou a realizar “Américo – Falcão Peregrino”, embora já com um toque citadino, uma produção de 2013.

Essa foi a razão que me fez fugir um pouco dos temas urbanos, deitando um “olhar cinematográfico” (até romântico, confesso) sobre o vegetalismo e seu telurismo, cujo visual nos remete mais à Natureza; temas de raízes campesinas, como o Cangaço, por exemplo. E sempre defendi que o nosso cinema se identifica mais com esse temário. Reflexão aqui então colocada reforça-se com uma viagem que fizemos certa vez ao interior da Paraíba, para as primeiras locações do curta-metragem ficção que pretendíamos rodar. Um dia todo em plena caatinga brava, sob vegetação ressequida pelo sol, fazendo prospecções ambientais e cenográficas, uma verdadeira situação que me remeteu aos áureos tempos dos anos sessenta. E lembro aqui desse período glamoroso do nosso cinema, também do escritor Virgínius da Gama e Melo ao defender a expressão “vegetalismo” como sustentação para um cinema rural. Época em que teve boa influência intelectual, segundo sabemos, no preparo dos filmes paraibanos importantes como “Aruanda” de Linduarte Noronha, por exemplo. E, segundo Virgínius, em seus aportes literários, vegetalismo representava “o apego profundo e a expressão da natureza exuberante, do telurismo e de uma paisagem verde, especialmente típicos do nordeste brasileiro”.


A Academia Paraibana de Cinema (APC) vai reunir sua diretoria para tratar sobre o lançamento do edital das eleições dos novos membros da entidade. O edital deve ser publicado até o final deste semestre, com todos os indicativos de inscrição necessários para os cargos de Diretoria e do Conselho Fiscal. As eleições acontecerão no final deste ano.

Na reunião vão ser ainda traçados sobre os novos perfis da revista Cine-Nordeste, periódico mensal que vinha sendo publicado pela APC, mas que teve as edições interrompidas há algum tempo.