Tempos de “muriçocas” também no cinema.

Cena de “orfeu do carnaval” filme de marcel camus.
Foto: Cena de “Orfeu do Carnaval” filme de Marcel Camus.

Numa época em que tudo é carnaval, a intenção nesse momento é bem simples: lembrar que, apesar de uma coisa não ter muito a ver com a outra, a dupla cinema/carnaval sempre se deu muito bem na nossa telona. Veja-se o exemplo de “Orfeu do Carnaval”, realização ítalo-franco-brasileira de 1959, dirigida por Marcel Camus. Filme aclamado na época e ganhador do Oscar de Melhor Filme Internacional em 1960, representando a França.

Aqui no Brasil, a partir de uma adaptação da peça “Orfeu da Conceição” de Vinícius de Moraes, além do sucesso de “Orfeu Negro” do diretor Carlos Diegues, e de “A Lira do Delírio” de Walter Lima Jr., filme de 1978 exibido no Cineclube da FCJA, recentemente, e de algumas “chanchadas” da Atlântida, existe certa relação entre o cinema, carnaval e muriçoca, sim.

Para os que não acreditam, é só lembrar da saga de nossos espectadores, em tempos idos. Houve uma época, lembrando bem, em que ir ao cinema era manter, igualmente, uma batalha não de confetes, mas contra os famigerados insetos. Eles nos picavam as pernas e braços… Quando não era pulga, era muriçoca, que nos azucrinavam a paciência durante toda a sessão. Tanto que, principalmente nos cinemas de bairros, sempre foi difícil para o espectador conciliar o interesse pelo filme, por mais ação que tivesse, e as mordidas covardes de tais insetos. Vivi essa época em uma de nossas salas de cinema, na cidade de Várzea Nova.

Hoje, com a globalização e a sofisticação dos ambientes e meios, as novas tecnologias e transformismos comportamentais da nossa sociedade, o feito muriçoca agora virou “chic”. A prova estaria nesses quarenta anos, quando o incômodo de um simples inseto virou o culto de grandes massas de foliões aloprados, que nos tomam ruas e avenidas rumo à Tambaú, num burburinho que mais parece coisa de louco!… O grande sucesso do bloco carnavalesco “Muriçocas de Miramar”, que antes já se prestou a homenagear inclusive o nosso Cinema, confirma sua importância cultural e social não do mosquito em si, mas do mito em que se transformou o inseto muriçoca. Hoje considerado um elo de euforia de quase meio milhão de pessoas, almejando o ano inteiro por um simples e único dia da semana carnavalesca cognominado de “Quarta-feira de Fogo”!


A Academia Paraibana de Cinema, por meio de sua diretoria e conselho, deve participar do evento “Encontro com Joelma Gonzaga”, no Espaço Cine Passeio, Av. Capitão João Freire-186, bairro da Torre, no próximo dia 02 de março. O convite é extensivo às instituições de cultura audiovisual do Estado da Paraíba.

A titular da pasta da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura estará em João Pessoa detalhando com a APC as políticas culturais junto aos representantes da classe e da cena audiovisual paraibana.