
Ao resgatar a história do cinema paraibano de uma fase que assisti muito de perto, o documentário “Parahyba” (1985) foi o primeiro filme do gênero realizado no estado, com recursos profissionais de cinema, em bitola 35mm, colorido, e melhor, com garantias comerciais previamente estabelecidas de exibição em todo o território nacional. E isto o teriaqualificado como sendo o precursor de uma distinta fase do nosso cinema, considerado então o início de um momento novo e moderno das nossas produções.
Tudo começou com as reuniões que realizamos no IPHAEP, na metade dos anos oitenta, na preparação do IV Centenário da Paraíba. Eu, Linduarte Noronha, Wills Leal, Gonzaga Rodrigues, Barretinho Neto e José Octávio de Arruda Mello, intenso articulador do Grupo Zé Honório Rodrigues, que já coordenava também toda programação do IV Centenário da Paraíba. Zé Octávio havia me convidado para responder pelo segmento de Cinema do certame, em nome da ACCP, da qual fazia parte nessa época.
Nessas reuniões, que foram muitas, a grande questão era achar uma forma, uma argumentação forte, contundente, que representasse bem o Estado e servisse como linha condutora da proposta do “Parahyba”. O roteiro eu já tinha começado a escrever havia algum tempo, com a participação de Barretinho, sendo por mim posteriormente concluído a quatro mãos com Machado Bittencourt, que depois o assinaria também na finalização do filme.
Anteriormente, eu havia coordenado por dois anos seguidos a parte de cinema do Festival de Arte de Areia, quando introduzi pela primeira vez a Cinética Filmes de Campina Grande naquele certame. Nessa época, eu já tinha contato com o cineasta Machado Bittencourt, com quem realizei também o documentário “Cinema Inacabado”. O filme foi todo rodado em 16mm, a cores, inclusive revelado e montado na própria Cinética de Bittencourt. Foi uma homenagem ao Cinema Educativo da Paraíba e ao seu diretor João Córdula e seus 25 anos de existência à frente da instituição.
Não obstante as razões até aqui revistas, o furor com que advieram outras realizações em bitolas não 35mm, na mesma época, portanto não profissionais, deve ser igualmente considerado. O fato é que, com o documentário “Parahyba”, sob suas características então mencionadas, houve de abrir uma nova perspectiva de produção para o nosso cinema. Consagrou, por assim dizer, uma nova etapa, que diria ser um “momento especialdo Cinema Paraibano”.
APC: Exposição temática sobre o Wills Leal
O presidente da Academia Paraibana de Cinema, João de Lima Gomes, juntamente com técnicos da Fundação Casa de José Américo, visitou na quinta-feira passada a residência do jornalista Teócrito Leal, irmão do fundador da APC, Wills Leal. Na ocasião, a família foi informada da exposição temática sobre Wills Leal, que será aberta na segunda semana de março na Unidade Tambaú da FCJA.
Durante o encontro, ao tomar conhecimento sobre a exposição, Teócrito cedeu por empréstimo algumas fotos relativas aos aspectos familiares de Wills em reuniões com sua família.