
Todos os anos, nesta época de Páscoa, era assim… Semana Santa e lá estávamos nós, apostos, eufóricos com o assédio das multidões na porta do cinema. Amplas filas de espera se formavam entre uma sessão e outra. Espécie de extensão da Procissão do Senhor Morto, que horas antes havia passado, inclusive, bem em frente ao nosso cinema, na vizinha cidade de Santa Rita.
Calmo, sempre calmo, apesar da intensa movimentação dessa época, “Seu” Severino do Cinema (meu pai) controlava tudo de perto: da portaria à sala de projeção de múltiplas poltronas vermelhas estofadas, onde se acomodavam os fiéis cristãos cinemeiros. Redobrava ainda a atenção de pai com a bilheteria e o controle da cabine de projeção, onde, apostos, os projecionistas Assis, Messias e Rubens aguardavam ansiosos o sinal para o início da sessão do tradicional/consagrado “A Paixão de Cristo”; com um “cristo” andando ligeirinho e tudo.
Com muita eficiência e desvelo, todos os “apóstolos” daquela projeção cinematográfica também se deslumbravam com os efeitos de mais uma anual e repetida ação espetacular. Durante o dia, dava-se a verificação dos rolos do filme, repassados integralmente na “enroladeira”, para supressão dos possíveis fotogramas avariados em outras projeções. À noite, o rígido controle do som e da projeção do filme preserva o respeito ao significado bíblico do Cristo projetado. Nada deveria ofuscar o brilho daquela Sessão Especial e tão aguardada!
Não demorava muito e lá estava, na tela, mais uma vez “A Paixão de Cristo”: o esperado grande instante cinematográfico, sob ampla expectativa e deslumbramento dos nossos fiéis cinemeiros de todos os anos. Pessoas fervorosas, gente de idade variada, velhos e crianças numa mesma romaria de contemplação ao nosso Cristo revivido em celuloide, luz e sombra, que se movimentava numa velocidade alterada, entre 16/24 quadros por segundo. Fantástico ver e sentir aquilo tudo!… E, finalizando a coluna de hoje, uma correção deve ser feita ao informe publicado no domingo passado sobre o professor Luiz Albuquerque Couto: ao deixar a nossa universidade, já como deputado em Brasília, aqui ele dirigia o CCHLA (Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes) e não o CCEN.
APC já prepara as novas eleições
A Academia Paraibana de Cinema (APC) reuniu sua diretoria na quarta-feira passada para discutir sobre o lançamento do edital das eleições dos novos membros da entidade. O edital deve ser publicado até o final deste mês, com todos os indicativos de inscrição necessários, para os cargos de diretoria e do Conselho Fiscal. As eleições acontecerão no final de julho deste ano.
Na reunião foram ainda traçados os novos perfis da revista Cine Nordeste, publicação mensal da Academia Paraibana de Cinema, que teve as edições interrompidas há algum tempo.