
Procurando traduzir comparativamente a dinâmica fractal dos tempos atuais e os vastos recursos das novas tecnologias da informação (onde estaria inserido o nosso cinema), vemos que o modus vivendi já não é mais o mesmo. De há muito, o tradicional, que queiramos ou não, tem-se perdido no tempo, num emaranhado de situações, na revolução dos bits de uma nova história.
No cliqueinstantâneo das comunicações, como num passe de mágica, já se salvam vidas a quilômetros de distância. Contraditoriamente, num piscar de olhos, apertando-se um simples botão, vidas anteriormente salvas pelo “milagre científico” poderão ser ceifadas. Tudo isso, produto da intolerância e desatino dos que, consciente e insensivelmente, dominam e manipulam as massas incautas, em um mundo hoje realmente fragmentado.
Reproduzindo em cinema a aldeia global em que vivemos, durante anos, fomos capazes das mais pirotécnicas experiências, numa odisseia não apenas prevista a partir do ano 2001, preconizada sabiamente no filme de Kubrick, “Uma Odisseia no Espaço”, intencionalmente, nos compelindo a sublimar as “guerras”. Nessa evolução, simplesmente cooptando as massas à prática do real desinteresse pela paz, simplesmente porque o confronto armado daria pecúnia, posição social e poder.
Certamente, não há de ser tão simples a culminância da complexidade humana num simples aperto de mãos, como desejariam os mais otimistas. Mas, bem que esse pudesse ser o gesto de uma catarse e do reconhecimento às equações de toda uma civilização. Assim, nas relações políticas e sociais, não menos nas artes, o grande desafio mesmo é se conseguir um animus desarmado entre os povos. Atitude essa que tanto nos tem faltado.
Refletindo sobre um possível elo comparativo entre aquilo que é virtual (pode acontecer) em cinema e a realidade mostrada diariamente através da televisão, notamos que há uma grande diferença. Talvez, não nos termos em que essa violência vem ocorrendo, mas, principalmente, sob a forma velada, sub-reptícia, “fabricada” pelos meios de comunicação social, expressão clara de que a forma de violência de hoje é, realmente, o ópio de consumismo das massas. Ficaria, então, uma crucial verdade: quanta contradição tem gerado o preconizado progresso da humanidade, sob elementos também fortes como já existem, no caso, a Inteligência Artificial (IA)…
APC: Apoio federal ao NUDOC/UFPB
O prof. João de Lima Gomes,Coordenador do Núcleo de Documentação Cinematográfica (NUDOC) da Universidade Federal da Paraíba, presidente da Academia Paraibana de Cinema (APC), recebeu esta semana comunicado do deputado federal Luiz Albuquerque Couto sobre a emenda parlamentar de sua autoria (Ofício n° 128/2026-Gab-LAC Brasília, 24 de março de 2026), destinando recursos para o NUDOC.
A medida visa “o fortalecimento da universidade pública, da educação superior de qualidade, da preservação da memória, da produção cultural e audiovisual e do apoio a iniciativas voltadas à valorização do patrimônio documental e cinematográfico”.