
Pela situação atual das nossas salas de cinema, demudadas que estão em “espaços de piquenique”, onde pessoas as usam para comer e beber, nem sempre pelo filme a ser exibido, propriamente, digo que iniciativas como a que foi tomada esta semana pela Prefeitura Municipal de João Pessoa, são muito válidas e respeitosas ao bom cinema.
Refiro-me à inauguração do Espaço Cinema Passeio, localizado no bairro da Torre, em João Pessoa. Atualmente, que me consta, é a única sala existente com característica tradicional fora dos shoppings e dos centros especiais de cultura. E aqui me refiro às salas do Espaço Cultural José Lins do Rego e da Fundação Casa de José Américo.
Viabilizado com recursos federais da Lei Paulo Gustavo do Ministério da Cultura, a inauguração do novo “cinema de bairro” contou com a presença da Secretária Nacional do Audiovisual (SAV/MinC) Joelma Gonzaga, também de autoridades estaduais e municipais locais. A Academia Paraibana de Cinema se fez presente ao ato inaugural na pessoa de seu titular, João de Lima Gomes, e dos assessores de sua diretoria, Fernando Trevas e da atriz Zezita Mattos.
O Espaço Cinema Passeio conta com projeção digital 4k, sala para 50 lugares, tratamento acústico e banheiros acessíveis, fortalecendo a atividade do audiovisual na cidade de João Pessoa. Situação essa que espero jamais seja viciada por uma cultura de “compra casada” – pipoca com refrigerante – que existe nos dias atuais. Embora saibamos que as sessões normais com filmes serão gratuitas.
Sempre defendi a originalidade do cinema. Um cinema construído muito mais próximo da realidade em que vivemos, e que possa fugir do exacerbado recurso tecnológico “virtualizado” dos dias atuais. Mas reconheço o valor dos agentes estruturais de “finalização” de uma obra fílmica. Cinema é ainda a arte do entretenimento, certamente. O fato é que ele vem perdendo sua forma criativa, a subliminar interpretação de quem ainda o assiste. Na maioria dos filmes, não existe tempo para a reflexão do espectador sobre o que assiste. Tudo tem sido muito rápido na tela, efêmero, desconexo, na maioria das vezes. Ao contrário, vejamos, por exemplo, o “Américo – Falcão Peregrino”. Um cinema que se utilize sempre de uma estética bem pensada, apurada, de uma narrativa trabalhada cuidadosamente, senão real, mas verossimilhante como Arte; menos, aquilo que poderá acontecer; mais aquilo que, “representado”, realmente aconteceu.
APC: CONVOCAÇÃO
A presidência da Academia Paraibana de Cinema (APC) convoca seus associados para a reunião da próxima quarta-feira/11, quando serão discutidos vários temas relacionados às medidas a serem tomadas, ainda neste semestre.
Conforme João de Lima Gomes, presidente da APC, outros assuntos que dizem respeito à importância do cinema paraibano devem ser debatidos. Inclusive sobra os recursos de 100 mil reais para o Nudo, da UFPB, recentemente liberados pelo deputado federal Luiz Couto.