Nossos acervos de cinema pedem ajuda!

À câmera, walfredo rodriguez iniciador do cinema paraibano.
Foto: À câmera, Walfredo Rodriguez iniciador do cinema paraibano.

Nesse final de semana, vendo um artigo publicado em A União sobre o Festival de Arte de Areia, em que são resgatados alguns lances sobre o início de sua realização, vieram-me também indagações que dizem respeito a um acordo para com a preservação dos nossos acervos. Compromisso esse que entendo deveria se estender às iniciativas culturais na sua totalidade, ainda hoje realizadas na Paraíba, legado deixado por Walfredo Rodriguez.
Há um bom tempo, para o meu mais acentuado espanto, tenho em mãos um dossiê com relato veemente sobre a situação de alguns acervos em que ainda se deparam os materiais iconográficos e audiovisuais paraibanos. Um trabalho minucioso, concluído por uma equipe do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Paraibano – IPHAEP, revelou há anos a dimensão real desse acervo, que ainda representa, sem nenhuma dúvida, algo de colossal e extremamente importante para a História do Cinema Paraibano. Conforme o relatório, quase 40% de todo o acervo de cinema estaria comprometido e grande parte desse percentual totalmente perdida. E, com esse relatório em mãos, à época, pude verificar a extensão do problema ali existente.
O fato irrefutável é o seguinte: parte da nossa importante memória (não só cinematográfica) está prestes a desaparecer, se não forem tomadas as providências urgentes e sérias sobre o assunto. Cabe à União, ao Estado e/ou ao Município, ou a quem de direito da área privada, a aquisição formal de todo material, para ser, aí sim, devidamente instalado em local fisicamente compatível à sua preservação e com temperatura adequada. Seria uma atitude meritória e politicamente correta, como deve ser, mas longe de interesses meramente sectários…
Por mais boa vontade e esforço que empreendamos, não representaria o necessário para resolver o problema da falta de conservação dos acervos paraibanos. Há um descaso evidente por parte das autoridades e de algumas instituições pertinentes, de há muito reclamado por mim e por aqueles que, de forma insistente, apontam tais desatenções para com a nossa cultura. Só não vale criar projetos para eventos, deixando nossos acervos à margem…
Tenho insistido bastante na ideia do resguardo das nossas memórias, indagando sobre o paradeiro dos acervos do Cinema Educativo da Paraíba de João Córdula, também das realizações do cineasta Machado Bittencourt. Lembrando ainda dos curtas-metragens (cinejornais), que eram produzidos pelo empresário Ivan de Oliveira para comercialização, dos quais fiz parte negociando com as distribuidoras de Recife.


Diretoria da Academia Paraibana de Cinema recebeu convite para estar na sessão de posse dos novos confrades e confreiras da Academia Sapeense de Letras, Artes e Cultura, na próxima sexta-feira, dia 06 de março. O evento faz parte do programa integrando uma rede de academias, visam estimular o gosto pelas letras e artes no interior da Paraíba.

Agradecendo o convite, conforme esclareceu o presidente da APC João de Lina Gomes, o evento será mais uma das atividades de interiorização que sua entidade vem desenvolvendo nos últimos tempos.