Fora da “virtualidade”, um bom cinema

Premiações de “o agente secreto” refletem o bom cinema brasileiro.
Foto: Premiações de “O Agente Secreto” refletem o bom cinema brasileiro.

Sempre defendi a boa originalidade do nosso cinema. Não em termos estritamente conservadores, mas de um cinema construído muito mais próximo da realidade em que vivemos. Que abdicasse mais dos recursos da tecnologia “virtualizada” dos dias de hoje – menos “aquilo que poderá acontecer”; mais “aquilo representado e/ou que aconteceu”, realmente. Um cinema feito sob a ótica de uma transcrição histórica, que seja a partir de uma realidade existencial mesma.

Certa vez, no Liceu Paraibano, quando eu proferia uma palestra sobre cinema, a convite da organização do I Encontro de História da Linguagem, promovido pela UVA – Universidade Estadual Vale do Acaraú, uma das alunas da Turma 84 me fez a seguinte pergunta: “O que o senhor considera como um verdadeiro cinema, nesse mundo virtual e tecnológico em que nos encontramos?”

A questão colocada naquele momento pela aluna do Curso de História da UVA, também presente no auditório do Liceu, foi mais que oportuna. Respondi, então: realmente, não vivemos um adequado cinema, mutante que está sendo, em grande parte, pela pirotecnia desenfreada de hoje, em razão das facilidades eletroeletrônicas das máquinas e computadores, que substituíram (sic) o homem, o mais puro “artesão” da arte-do-filme, na sua capacidade natural de criação, nas diversas formas de Arte.

A propósito, assistindo a filmes como “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça, vejo que a marca do bom cinema ainda prevalece. Isso porque, alguns posicionamentos usados no filme sobre a questão da linguagem, a partir de uma bem cuidada “representação” histórica, existem na obra de Kleber. Razão do seu reconhecimento pela crítica especializada, sucesso de avaliação e premiação pelo mundo afora. Inclusive, ganhador do Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, representando o Brasil em recente festival de cinema nos EUA, dando ao ator Wagner Moura também o prêmio de Melhor Ator. Detalhe: com presença honrosa e numerosa de atores paraibanos no elenco do filme. Com sua estreia mundial no Festival de Cannes em maio deste ano, o filme de Kleber Mendonça só vem somando aplausos por onde passa. O que significa dizer que os recursos financeiros de produções destinados ao filme pelo poder público, através do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) da Agência Nacional do Cinema (Ancine) e do Ministério da Cultura, estão sendo bem representados. Que venha agora o tão ansiado Oscar-2026.


Em sua primeira reunião do ano, na quarta-feira passada, a Academia Paraibana de Cinema contou com a presença de seu Conselho-Diretor, na Unidade Tambaú da Fundação Casa de José Américo, deliberando algumas pautas de programação para 2026. Sobretudo a colaboração da APC na indicação de filmes ao cineclube “O Homem de Areia” da FCJA, sendo então sugerido para a próxima exibição de fevereiro o filme “A Lira do Delírio” do paraibano Walter Lima Jr.

Durante a reunião presidida pelo professor João de Loma Gomes, presidente da APC, teve a participação dos conselheiros Alex Santos e Manoel Jaime Xavier, quando foi sugerida a retomada da publicação da Revista Nordeste da APC, que já teve oito versões impressas. Agora, a ideia é preparar pelo menos uma edição por semestre sob o formato digital.