Filme alemão revê movimentos estudantis sobre atos islâmicos

Foto: “Luna Wedler e Jannsis Niewohner atuam como vítimas de uma tragédia urbana, em Je suis Karl”.

Cogita-se de havia muito, sobre organizações extremistas, ideologicamente homicidas/suicidas, que tem por base o fanatismo acirrado de seus integrantes, aliciados por lideranças que se dizem transformadoras do seu próprio status quo, alegando: “Somos a mudança, somos a nova era. Parem de interferir no nosso futuro!” Isso posto, é o caso de alguns grupos formados de acadêmicos de uma universidade de Praga, sob suposto e confuso conhecimento político-social da atual realidade.

Situação assim, sem resposta muito clara se constata em Je suis Karl. Uma produção alemã de Christian Schwochow, que vi esta semana na Netflix, e que traz – aos menos avisados – uma série de apontamentos sobre as incertezas de uma juventude europeia perdida entre normas estatais e uma barbárie islâmica, nesse novo tempo globalizado e dominado pelos recursos midiáticos.

Com um título bastante expressivo, que se tornaria em “grito de guerra” do movimento estudantil, “Je suis Karl!”, é o retrato de uma juventude universitária eufórica que prega slogan como esse: “Sobre o que nos assusta, guerrilhamos!”. Mas usa de métodos e práticas muçulmanas, como terrorismo, para se justificar perante instituições e governos constituídos.

Embora sendo filme alemão, o título nos sugere algo como o movimento estudantil acontecido em Paris no final dos anos 60, em que a nova geração reivindicava o fim de posturas conservadoras por parte dos governantes. Tema que nos lembra um filme de Bernardo Bertolucci, “Os Sonhadores” (2003). Mas, em “Je suis Karl”, o foco da questão, que seria de insatisfação de uma juventude, traz o ranço não de um romantismo francês, como aqueloutro, mas o estigma de um islamismo denso, cruel e exterminador.  

O drama é ambientado nas capitais de Praga (República Tcheca), Berlim (Alemanha) e Paris, na França, e inicia com um casal que volta de Budapeste (Hungria) para sua cidade, Berlim, e presencia os problemas de passaportes dos vários imigrantes entulhados em céu aberto. De volta pra casa, Alex Baier (Milan Peschel) e sua esposa Ines (Mélanie Fouché) reencontram um jovem conhecido líbio, Yusuf (Aziz Dyab), que fora barrado na entrada pela polícia de fronteira alemã. O casal dá um jeitinho, fazendo-o entrar na Alemanha camuflado entre densos cobertores.

Mas os dois personagens principais da história são a filha do casal, Maxi (Luna Wedler), jovem estudante, que acaba perdendo parte da família num atentado à bomba no centro de Berlim, e o jovem Karl (Jannsis Niewohner) que a conhece e passa a lhe dar apoio. Esse mesmo “Karl”, que passa a aliciá-la em nome de sua organização criminosa sediada em Praga.

Após deixar o pai desolado com as perdas da esposa e filhos menores, Maxi viaja à Praga, a convite do jovem Karl, para participar de um seminário numa universidade local. A partir de então, a vida da jovem se complica ainda mais, embevecida que fica após estrondoso discurso influenciador de Karl, que é sacrificado na frente das câmeras de tv, pelo próprio grupo ativista, num ato de propaganda e “heroísmo” do jovem, pelo que defendem: “Estamos declarando guerra contra vocês!” (no caso, culpando as autoridades constituídas). Destaco que é um filme a ser visto, justamente em confronto aos tempos globalizados de hoje.


APC: atrizes paraibanas em alta

As atrizes Zezita Matos e Marcélia Cartaxo, que fazem parte da Academia Paraibana de Cinema, continuam brilhando em recentes festivais realizados não só na Paraíba. Atuações que refletem, ainda, um considerável número de produções audiovisuais em que elas vêm atuando.  

Mas existem rotulações em alguns eventos que os podem desacreditar, usando-se caricatas expressões do tipo “Cinema com Farinha”. Intender-se-ia, a rigor, um tipo de cinema “farofeiro”. Tirando-lhe o caráter sério, como se a atividade Audiovisual não carecesse de uma melhor deferência. Contudo, louve-se o esforço de quaisquer atividades culturais, mas que se dê dignidade à sua causa, título e realização…

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