Um crítico, um sortilégio e uma versão para o cinema

Foto: “Crítico de cinema João Batista de Brito e seu blog Imagens Amadas”

Final de ano e a cidade toda em burburinho, com a natureza cobrindo de flores amarelas as árvores da Lagoa. Tocadas pela beleza do parque, famílias afluem ao local, cujo urbanismo houve de ser aprimorado recentemente pelo Poder Municipal. Caminhando pela cidade, um crítico de cinema pessoense – que acabara de postar pela Internet sua crônica sobre um certo “sortilégio” acontecido havia anos – segue rumo ao Parque Solon de Lucena.

Naquela mesma tarde, uma jovem e seu filho fazem parte da paisagem, sentados em um dos bancos às margens da serena Lagoa. A mulher consulta distraidamente o seu celular, fixando-se então no blog “Imagens Amadas”, segredando sobre a magia nele contida. Agora, alegremente, o garoto brinca de arremessar pedrinhas sobre as águas do lago, fascinado com as ondas circulares que se formam a cada investida sua.

Aproximando-se de ambos, sem se fazer notar, o crítico de cinema para. O gesto lúdico daquela criança chama sua atenção. Tanto o garotinho como as concêntricas formas criadas por ele no espelho da água, agora são imagens peculiares para o crítico, remetendo-o às reflexões prazerosas. Ainda parado, fotografa a cena com o seu Android. Ri discretamente, afastando-se do local, retomando sua caminhada ao Liceu Paraibano. Em sua mente, como relicário existencial, ficam as inocentes ondas circulares pela criança produzidas, que se fundem com o relógio da torre do Liceu, marcador de um tempo que já não mais existe…

Esse, em síntese, o epílogo da narrativa que deu vez ao novo audiovisual paraibano – Outrora considerado deveras grave para a época, um inusitado episódio repercutiu na imprensa escrita e nas rádios de então, segundo um artigo publicado dezenas de anos depois no jornal A União. O acontecimento foi repudiado por grande parcela da população de João Pessoa, que alegou ter sido obra de uma pessoa desequilibrada e tomada de um certo “sortilégio amoroso criminoso”; mais ainda, contra o Cinema, a mais adorada forma de diversão existente naqueles tempos, quando apenas o teatro lhe fazia frente. Agora, a famigerada narrativa sobre o acontecimento no cine Rex e suas supostas repercussões, ganham contornos cibernéticos e contemporâneos. Além das redes sociais, o remoto episódio é hoje representado no média-metragem “Poltrona Rasgada”. Oportuna realização da empresa paraibana AS Produções de Cinema e Vídeo (ASProd), também responsável por dois outros audiovisuais que fazem parte da trilogia, em que a própria Cidade de João Pessoa figura como real protagonista. Com grande elenco e ficha técnica, o audiovisual terá sua estreia ainda este ano.


Lançamento de “Poltrona Rasgada”

Integrantes da Academia Paraibana de Cinema promoveram nesse final de semana, pela manhã, uma apresentação do novo audiovisual em média-metragem intitulado “Poltrona Rasgada”. Uma realização da ASProd – Cinema e Vídeo, com participação de vários membros da APC. A sessão aconteceu em sala especial de projeção do Cine Mirabeau, no bairro do Bessa.

Todo gravado em João Pessoa, a história se baseia em fato acontecido em um dos cinemas do centro da cidade, no final dos anos 50. Sua estreia mesmo está prevista para o próximo mês, na forma de streaming, com possibilidades de lançamento aberto ao grande público durante próximo FestAruanda.

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