“Marseille” expõe mazelas de uma contenda eleitoral

Foto: “Ator Gérard Depardieu e grande elenco de Marseille”.

Nesses tempos bizarros de pandemia sanitária (Covid-19), também de surto partidário nos bastidores políticos locais, visando as próximas eleições municipais, nada melhor do que o cinema para se entender e abrir os olhos, especialmente no caso eleitoral, sobre os malefícios causados às populações mais incautas e despreparadas, vítimas dos conchavos e “compromissos de palanques” que jamais serão  cumpridos.

 O seriado “Marseille”, que assisto atualmente na Netflix é uma produção da televisão francesa, dirigida pela dupla Florent Emilio-Siri e Thomas Gilou e lançada em maior de 2016. À época, auferindo até alguns teasers inclusive da imprensa. Mas, se assistida hoje sob um olhar realmente crítico, há de se verificar que sua história se enquadra perfeitamente ao momento eleitoral em que vivemos. Tanto aqui como nos Estados Unidos.

Gérard Depardieu, ator que protagonizou Cyrano de Bergerac, em 1990, um épico francês, vive o papel do prefeito Robert Taro, reeleito da bela cidade de Marseille no Sul da França, para quem “O poder não é dado: é pego”. Ele agora está em mais uma campanha eleitoral, mas dessa feita terá pela frente, além dos compromissos de bastidores com aliados, um forte concorrente: um político jovem deveras ambicioso e muito próximo dele, que tem algumas “cartas na manga”, impondo-lhe muitas desconfianças e incertezas. O papel do seu antagonista é o ator Benoît Magimel, interpretando Lucas Barrès, que se alia inclusive à máfia e aos traficantes, querendo ser eleito de todo jeito. Isso, lembrando o caso de alguns políticos e milicianos do Rio de Janeiro.

Para os especialistas da área não só política, mas do concorrido mercado streaming, “Marseille” é um “thriller político” que visa não apenas a simples diversão: “É, em resumo, o reflexo mais exato da cobiça.” – Um prefeito que deseja se perpetuar no poder, alegando em público que, “Eu quero o melhor para Marseille: esta é a minha cidade!”

Será que tal expressão não teria algum parentesco com as que temos visto ultimamente aqui entre “nosotros Paraíba”? Ficamos a matutar como as coisas na política permeiam meros corações e mentes, transformando as pessoas em naturezas daninhas, sempre em nome da cobiça e do poder…Ipso facto, aconselharia, sem medo de errar, a indicação de “Marseille” e suas propostas, para uma justa reflexão no atual momento em que vivemos. Que se vá além, muito mais além do que significam tais bastidores desses pleitos, política e partidariamente. Preservando-se, óbvio, a inviolabilidade das instituições eleitorais.


APC no seminário contra Neoliberalismo

A presidente da Academia Paraibana de Cinema, educadora e atriz Zezita Matos, participou recentemente do XV Seminário Internacional de Lutas contra o Neoliberalismo, para lembrar os 150 de Lenin. Evento, com transmissão pela Internet, fez uma homenagem especial ao Cinema Paraibano e ao documentário de curta-metragem de Linduarte Noronha, “Aruanda, que foi exibido na ocasião com introdução de Zezita, que representou a APC naquele seminário. O cineasta Linduarte Noronha, se vivo fosse, estaria completando 90 anos de idade.

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