{"id":761,"date":"2023-09-23T14:22:15","date_gmt":"2023-09-23T17:22:15","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/?p=761"},"modified":"2023-09-23T14:22:16","modified_gmt":"2023-09-23T17:22:16","slug":"cinema-verdade-inexiste-em-absoluto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/2023\/09\/23\/cinema-verdade-inexiste-em-absoluto\/","title":{"rendered":"<strong><em>\u201cCinema verdade\u201d inexiste em absoluto<\/em><\/strong>"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"350\" height=\"433\" src=\"http:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Linduarte-Noronha-sempre-filmou-fragmentos-da-uma-realidade..jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-762\" srcset=\"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Linduarte-Noronha-sempre-filmou-fragmentos-da-uma-realidade..jpg 350w, https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Linduarte-Noronha-sempre-filmou-fragmentos-da-uma-realidade.-242x300.jpg 242w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Linduarte Noronha, sempre filmou fragmentos da uma realidade.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Houve um tempo seriamente peculiar no cinema paraibano, criado por uma gera\u00e7\u00e3o considerada \u201cdocumentarista\u201d. Esse per\u00edodo ter\u00e1 sido o mais ativo entre as d\u00e9cadas de 1960 e 1970, basicamente, da qual tamb\u00e9m fiz parte. Foi uma fase, como dissera o eloquente Glauber Rocha, de se portar \u201cuma c\u00e2mera na m\u00e3o e uma ideia na cabe\u00e7a\u201d. Isso, sem nenhuma pretens\u00e3o de ser ind\u00fastria de cinema. Experi\u00eancias que serviram para sedimentar, n\u00e3o apenas na Para\u00edba, as bases do Cinema Novo no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 que, cooptados por essa m\u00e1xima glauberiana, alguns realizadores da \u00e9poca se autonomearam (e ainda hoje s\u00e3o rotulados como tal) precursores de um \u201ccinema verdade\u201d. E que o cinema documental seria a \u201cveracidade dos fatos\u201d ent\u00e3o flagrados por uma c\u00e2mera.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo tendo iniciado como documentarista naqueles tempos, jamais concordei com essa acep\u00e7\u00e3o de \u201ccinema verdade\u201d. Sempre discordei de tal r\u00f3tulo, e at\u00e9 escrevi v\u00e1rias vezes sobre, aqui mesmo nas domingueiras de A Uni\u00e3o, tamb\u00e9m em livros que publiquei, explicando os motivos da recusa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, a \u201cverdade\u201d absoluta de quaisquer ocorr\u00eancias, que sejam registradas documentalmente pelo cinema (ou por simples audiovisual) \u2013 os espa\u00e7os, pessoas e suas a\u00e7\u00f5es \u2013 n\u00e3o existe de fato. Isso porque, a Verdade transcende aos limites de um simples enquadramento de c\u00e2mera. O portador de \u201cuma c\u00e2mera na m\u00e3o\u201d (ou mesmo em um trip\u00e9), det\u00e9m apenas espa\u00e7o e tempo limitados de determinada ocorr\u00eancia. Apreende, sim, parte apenas circunstanciada pelos limites visuais angulares de uma c\u00e2mera. T\u00e9cnica essa que limita a totalidade do que realmente est\u00e1 acontecendo naquele momento. Mais ainda, quando o produto dessa filmagem (ou grava\u00e7\u00e3o de imagens) vai demandar uma \u201cdecupagem\u201d. Isto \u00e9, ao final, sele\u00e7\u00e3o e jun\u00e7\u00e3o das imagens captadas para formar o que chamo de \u201cnexo narrativo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Teses como essas defendi na Universidade de Bras\u00edlia, quando do meu Mestrado em Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura Contempor\u00e2nea. Textos que transcrevi em livro intitulado \u201cCinema e Televis\u00e3o: Uma rela\u00e7\u00e3o antropof\u00e1gica\u201d, editado pela Editora A Uni\u00e3o, em 2002, cuja edi\u00e7\u00e3o est\u00e1 esgotada.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o aqui ent\u00e3o colocada, se n\u00e3o me engando, me remete aos anos de 1990, quando de encontro que tive com os cineastas Carlos Diegues (Cac\u00e1) e Jos\u00e9 Carlos Avelar, durante um dos festivais de Bras\u00edlia. Naquela ocasi\u00e3o, indaguei a ambos sobre quest\u00e3o do \u201ccinema verdade\u201d, a partir do que entendo como cinema, sendo \u201ca arte da representa\u00e7\u00e3o de uma realidade\u201d; documental ou fic\u00e7\u00e3o. Os dois foram un\u00e2nimes em concordar com a \u201crepresenta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Avelar, inclusive, em se tratando de cinema, tudo n\u00e3o passa de uma grande ilus\u00e3o. Mesmo sob uma \u201cvis\u00e3o realista\u201d dos fatos. E afirma: \u201cO que me parece importante destacar \u00e9 que o cinema tentou estabelece desde o in\u00edcio, um tipo de sensa\u00e7\u00e3o de impacto\u201d. E d\u00e1 exemplos como o da chegada do trem \u00e0 Gare de Lion, na Fran\u00e7a, no filme dos Irm\u00e3os Lumi\u00e8re. A quest\u00e3o, enfim, transcende \u00e0 mera categoria em cinema; se \u00e9 fic\u00e7\u00e3o ou document\u00e1rio. Fato \u00e9 que, essa hist\u00f3ria de \u201ccinema verdade\u201d, a rigor, inexiste.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<h3 class=\"has-vivid-red-color has-text-color wp-block-heading\"><strong><em>APC: Patrono Linduarte \u00e9 homenageado<\/em><\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>\u201cARUANDA \u2013 Tributo \u00e0 Linduarte Noronha\u201d foi realizado na ter\u00e7a-feira passada, na Sala de Reuni\u00f5es do CCTA da Universidade Federal da Para\u00edba, no Campus I de Jo\u00e3o Pessoa. Professores da UFPB e integrantes da Academia Paraibana de Cinema discorreram sobre a import\u00e2ncia do cineasta paraibano e sua principal obra <em>Aruanda<\/em>. As atividades aconteceram durante o dia todo.<\/p>\n\n\n\n<p>O cineasta Linduarte Noronha, autor de <em>Aruanda<\/em> e <em>Cajueiro Nordestino<\/em>, \u00e9 Patrono da Cadeira 01 da APC, que tem como Ocupante o professor Cl\u00e1udio Brito, do Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Houve um tempo seriamente peculiar no cinema paraibano, criado por uma gera\u00e7\u00e3o considerada \u201cdocumentarista\u201d. Esse per\u00edodo ter\u00e1 sido o mais ativo entre as d\u00e9cadas de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":762,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"slim_seo":{"title":"\u201cCinema verdade\u201d inexiste em absoluto - Coisas de Cinema","description":"Houve um tempo seriamente peculiar no cinema paraibano, criado por uma gera\u00e7\u00e3o considerada \u201cdocumentarista\u201d. 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