{"id":558,"date":"2022-09-17T12:00:00","date_gmt":"2022-09-17T15:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/?p=558"},"modified":"2022-09-16T10:52:20","modified_gmt":"2022-09-16T13:52:20","slug":"segregada-mulher-marcho-sim-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/2022\/09\/17\/segregada-mulher-marcho-sim-senhor\/","title":{"rendered":"Segregada mulher marcho, sim Senhor!"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"390\" src=\"http:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Tizuka-Yamasaki-diretora-de-Parahyba-Mulher-Marcho.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-559\" srcset=\"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Tizuka-Yamasaki-diretora-de-Parahyba-Mulher-Marcho.jpg 800w, https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Tizuka-Yamasaki-diretora-de-Parahyba-Mulher-Marcho-300x146.jpg 300w, https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Tizuka-Yamasaki-diretora-de-Parahyba-Mulher-Marcho-768x374.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption><em>Foto: Tizuka Yamasaki diretora de &#8216;Parahyba Mulher Marcho&#8217;<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A Para\u00edba sempre teve voos tranquilos no cinema. Um deles, que agora me lembre, sem turbul\u00eancia que pudesse lhe causar maiores transtornos, foi o document\u00e1rio <em>Parahyba<\/em>, que eu e Machado Bitencourt realizamos, tendo a parceria do historiador Jos\u00e9 Oct\u00e1vio de Arruda Mello, para celebrar o Quarto Centen\u00e1rio da Para\u00edba, em 1985.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas anos antes, uma outra realiza\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica com expedientes tamb\u00e9m paraibanos, inclusive roteirizada pelo conterr\u00e2neo Jos\u00e9 Joffily Filho, n\u00e3o teve a mesma sorte. Inventou uma esp\u00e9cie de marketing de produ\u00e7\u00e3o um suposto esc\u00e2ndalo, fazendo da sociedade paraibana de ent\u00e3o, cinquenta anos depois, a protagonista. Qui\u00e7\u00e1, n\u00e3o bastasse aos realizadores a import\u00e2ncia do tema sobre aquela mulher de postura independente para sua \u00e9poca, Anayde Beiriz, em tempos rumorosos que foram os de 1930.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois bem, minha gente, assim foi gestado o pol\u00eamico <em>Parahyba Mulher Marcho<\/em>, da diretora nipo-brasileira radicada em S\u00e3o Paulo, Tizuka Yamasaki.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo que j\u00e1 se explicou e tanto se conhece da Hist\u00f3ria da Para\u00edba, jamais foi ignorado que, socialmente, houve rejei\u00e7\u00e3o ao \u201cculto feminista\u201d na \u00e9poca da poetisa e professora Anayde Beiriz. Mas, <a href=\"https:\/\/www.sinonimos.com.br\/idolatrar\/\">incorporar<\/a> hoje a tal rejei\u00e7\u00e3o como sua, em sendo a diretora do filme, mais de setenta anos depois, seria demais&#8230; Em verdade, foi o que aconteceu, recentemente. O tal fen\u00f4meno s\u00f3 serviu de ululante proposta de marketing ao filme, em 1982. Mas hoje?<\/p>\n\n\n\n<p>Vivendo-se aqui um per\u00edodo de euforias cinematogr\u00e1ficas, que foram os dos anos 1970\/1980, com uma imprensa realmente adaptada \u00e0s inova\u00e7\u00f5es e modelos sociais, na qual eu trabalhava, o t\u00edtulo do filme de Tizuka n\u00e3o teve o peso que alguns moralistas e conservadores queriam. Isso lembrando outra pol\u00eamica, quando da realiza\u00e7\u00e3o de um outro filme, <em>Soledade<\/em> (1976), baseado no romance \u201cA Bagaceira\u201d. Para o autor, sua obra fora, sim, desvirtuada como narrativa no filme do carioca Paulo Thiago, desagradando profundamente o escritor Jos\u00e9 Am\u00e9rico de Almeida.<\/p>\n\n\n\n<p>E hoje, quarenta anos depois, de volta \u00e0 Para\u00edba para ser homenageada pelo FestincineJP, Tizuka Yamasaki chega com o mesmo discurso de antes, alegando, inclusive: \u201cSenti na pele parte do que Anayde sentiu 50 anos antes. Isso, na verdade, colaborou com o meu sentimento do que \u00e9 ser segregada\u201d. Ser\u00e1 que a ilustre diretora de filmes importantes do cinema brasileiro, como <em>Gaijin <\/em>e <em>Os caminhos da liberdade<\/em>, n\u00e3o ter\u00e1 se auto-segregado da Para\u00edba por raz\u00f5es outras? A rigor, seu filme <em>Parahyba Mulher Marcho<\/em>, cujo t\u00edtulo, como se sabe, foi meramente intencional a criar uma bolha socialmente especulativa sobre a mulher paraibana, serve hoje a encorajar o <em>animus<\/em> de uma \u201cjap\u00f4nica\u201d mulher marcho, sim Senhor! Diretora que pisa novamente o solo paraibano (mesmo \u201csegregada\u201d), com o mesmo discurso de quarenta anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<h4 class=\"has-vivid-red-color has-text-color wp-block-heading\"><strong>APC prestigia programa da Globo<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A Academia Paraibana de Cinema vem prestigiando os debates sobre o cinema paraibano, atrav\u00e9s do programa da Rede Globo Cine Para\u00edba, que est\u00e1 sendo lan\u00e7ado agora todos os s\u00e1bados, pelas TVs Cabo Branco e Para\u00edba.<\/p>\n\n\n\n<p>Representando a APC, estiveram presentes os acad\u00eamicos Zezita Matos, atriz e presidente da entidade, e o professor L\u00facio Vilar, diretor executivo do Fest Auanda. O programa faz parte de um projeto da emissora para valorizar o cinema paraibano e seus realizadores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Para\u00edba sempre teve voos tranquilos no cinema. 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