{"id":541,"date":"2022-08-20T12:00:00","date_gmt":"2022-08-20T15:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/?p=541"},"modified":"2022-08-18T11:15:44","modified_gmt":"2022-08-18T14:15:44","slug":"nao-deixe-de-lembrar-jamais-da-forca-da-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/2022\/08\/20\/nao-deixe-de-lembrar-jamais-da-forca-da-arte\/","title":{"rendered":"\u201cN\u00e3o Deixe de Lembrar\u201d, jamais, da for\u00e7a da arte&#8230;"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"554\" src=\"http:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Ator-Tom-Schilling-Kurt-em-Nao-deixe-de-lebrar.-1024x554.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-542\" srcset=\"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Ator-Tom-Schilling-Kurt-em-Nao-deixe-de-lebrar.-1024x554.jpg 1024w, https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Ator-Tom-Schilling-Kurt-em-Nao-deixe-de-lebrar.-300x162.jpg 300w, https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Ator-Tom-Schilling-Kurt-em-Nao-deixe-de-lebrar.-768x415.jpg 768w, https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Ator-Tom-Schilling-Kurt-em-Nao-deixe-de-lebrar..jpg 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><em>Foto: Ator Tom Schilling (Kurt), em N\u00e3o deixe de lembrar.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Nem sempre a Arte ousa confrontar o poder do Estado. Sobretudo, nas situa\u00e7\u00f5es em que se vive um governo em regime de for\u00e7a. Ao que lembre, isso tem sido muito raro, pelo menos no cinema. J\u00e1 os governos autorit\u00e1rios, pelo que temos testemunhado, sempre foram un\u00e2nimes em perseguir a liberdade de express\u00e3o art\u00edstica e seus autores. Mas a arte pict\u00f3rica, mesmo silenciosa, como interpreta\u00e7\u00e3o, pode sublevar-se contra quaisquer regimes que exista; at\u00e9 o ditatorial.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta semana assisti a um filme que trata desse assunto. Uma produ\u00e7\u00e3o alem\u00e3 e que se passa no per\u00edodo ap\u00f3s a Segunda Grande Guerra. Baseado em fatos reais, segundo a sinopse, Werk Ohne Autor (Trabalho sem autor), que no Brasil ganhou o t\u00edtulo de N\u00e3o Deixe de Lembrar, \u00e9 um drama interessante. N\u00e3o obstante suas mais de tr\u00eas horas de dura\u00e7\u00e3o, o que o torna um pouco cansativo, \u00e9 uma obra que visa a natureza humana e o sonho de uma crian\u00e7a em ser artista pl\u00e1stico.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria traz toda aquela arrog\u00e2ncia nazista do F\u00fchrer, atrav\u00e9s de seus comandados, mesmo como perdedores de uma guerra. Fato esse mostrado no in\u00edcio do filme, durante inaugura\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o de pinturas modernas, na comunidade de Dresden, arte considerada pelo regime hitlerista de ent\u00e3o como \u201cdegenerada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O que mais choca nas declara\u00e7\u00f5es de reprova\u00e7\u00e3o do guia da exposi\u00e7\u00e3o, ao conduzir os visitantes pelos amplos corredores da mostra, \u00e9 a sua postura de militar e representante do ent\u00e3o regime. Mais ainda, em raz\u00e3o da presen\u00e7a de Kurt (Cai Cohrs), um garoto de cinco anos de idade, levado por sua tia Elisabeth (Saskia Rosendahl) que o adverte para &#8220;nunca desviar o olhar porque tudo que \u00e9 verdadeiro cont\u00e9m beleza&#8221;. Isso, em raz\u00e3o do discreto encantamento do garoto sobre as cores e formas, contrariando as posi\u00e7\u00f5es descabidas do guia sobre as obras expostas. E ele mant\u00e9m esse conselho pro resto de sua vida, mesmo quando sua tia \u00e9 levada pelo ex\u00e9rcito nazista por suspeita de esquizofrenia. Evento que afeta sensivelmente o garoto, perturbando no futuro suas ideias sobre a arte.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos instantes do filme que merece aten\u00e7\u00e3o, logo no in\u00edcio, \u00e9 quando o guia nazista mostrando a Kurt uma pequena pintura abstrata (que custara nada menos de dois mil marcos) pergunta ao garoto se o pai dele pagaria dez centavos pelo quadro. E depreciando o valor da obra, afirmando que o custo financeiro da tela representaria \u201co sal\u00e1rio de um ano do trabalhador alem\u00e3o\u201d, pergunta ao garoto: \u201cEm que seu pai trabalha?\u201d O garoto responde: \u201cEle est\u00e1 desempregado\u201d. Moral: \u00e0 \u00e9poca, uma Na\u00e7\u00e3o que perdeu a guerra, mal vista no mundo todo, cheia de desempregados, mas que n\u00e3o perdeu a emp\u00e1fia.<\/p>\n\n\n\n<p>No fundo, rever a situa\u00e7\u00e3o de uma Alemanha e seus comandantes, que s\u00e3o desacreditados pol\u00edtica e socialmente por outras na\u00e7\u00f5es, ou como diz uma das cr\u00edticas ao filme: \u201c\u00c9 a evoca\u00e7\u00e3o de uma popula\u00e7\u00e3o e derrotada da guerra que n\u00e3o experimentou o comunismo como revolu\u00e7\u00e3o, mas como uma substitui\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o Deixe de Lembrar dirigido pelo cineasta alem\u00e3o Florian Henckel von Donnersmarck, que escreveu e dirigiu tamb\u00e9m o premiado A Vida dos Outros, \u00e9 um filme interpretado pelo ator Tom Schilling (Kurt pintor adulto) que motiva reflex\u00f5es sobre os valores humanos, inclusive politicamente, nos dias em que vivemos, sobretudo no campo das artes.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<h4 class=\"has-vivid-red-color has-text-color wp-block-heading\">APC se congratula com a nova academia<\/h4>\n\n\n\n<p>O jornalista, cr\u00edtico e cineasta Alex Santos, Cadeira 05 da Academia Paraibana de Cinema, cujo Patrono \u00e9 o seu pai Severino Alexandre Santos, pioneiro exibidor paraibano, recebeu esta semana no seu escrit\u00f3rio, em Tamba\u00fa, visita da advogada Alexandra Cavalcanti Luna e do jurista Jorge de Luna Freire, filho do historiador paraibano Jo\u00e3o Lelis de Luna Freire. Na ocasi\u00e3o, Alex foi convidado a ocupar uma vaga na Academia Cabedelense de Artes e Letras Litor\u00e2nea, que tem como foco uma orienta\u00e7\u00e3o Estudantil Infantojuvenil. Como se sabe, uma proposta inovadora, em termos de entidade patronal.<\/p>\n\n\n\n<p>Da rela\u00e7\u00e3o de patronos oferecida a Alex, onde se destacam figuras do mais alto conceito art\u00edstico paraibano e nacional, o cineasta deve analisar a proposta, especialmente os nomes da \u00e1rea de cinema e teatro existentes. Mas, lhe chamou aten\u00e7\u00e3o a Cadeira 04, cujo patrono \u00e9 o ator e seu antigo parceiro Anco M\u00e1rcio, com quem j\u00e1 trabalhou no cinema, dirigindo-o no document\u00e1rio \u201cArriba\u00e7\u00e3o\u201d, em 1967.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nem sempre a Arte ousa confrontar o poder do Estado. Sobretudo, nas situa\u00e7\u00f5es em que se vive um governo em regime de for\u00e7a. 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