{"id":391,"date":"2021-11-27T12:00:00","date_gmt":"2021-11-27T15:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/?p=391"},"modified":"2021-11-25T19:44:53","modified_gmt":"2021-11-25T22:44:53","slug":"um-grande-baile-de-epoca-que-o-cinema-soube-revelar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/2021\/11\/27\/um-grande-baile-de-epoca-que-o-cinema-soube-revelar\/","title":{"rendered":"Um grande \u201cBaile\u201d de \u00e9poca que o cinema soube revelar"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"334\" src=\"http:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Em-O-Baile-a-postura-do-oficial-nazista-no-salao-de-baile-avaliando-o-casal-e-tambem-caricata..jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-392\" srcset=\"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Em-O-Baile-a-postura-do-oficial-nazista-no-salao-de-baile-avaliando-o-casal-e-tambem-caricata..jpg 500w, https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Em-O-Baile-a-postura-do-oficial-nazista-no-salao-de-baile-avaliando-o-casal-e-tambem-caricata.-300x200.jpg 300w, https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Em-O-Baile-a-postura-do-oficial-nazista-no-salao-de-baile-avaliando-o-casal-e-tambem-caricata.-370x247.jpg 370w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption><em>Foto: Em O Baile, a postura do oficial nazista no sal\u00e3o de baile, avaliando o casal, \u00e9 tamb\u00e9m caricata.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Continuo afian\u00e7ando que o cinema europeu sempre foi a minha escola. Pelo enfoque de quase pureza humana em suas evoca\u00e7\u00f5es tem\u00e1ticas, quer sejam essas hist\u00f3ricas ou, simplesmente cotidianas, tendo como foco tamb\u00e9m os personagens que aborda. At\u00e9 em suas alegorias mais extremas vejo sensibilidade narrativa. Vejo criatividade e Luz!<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Lembro que, fazendo parte do Conselho do Cineclube da Funda\u00e7\u00e3o Casa de Jos\u00e9 Am\u00e9rico, havia algum tempo atr\u00e1s, como um dos representantes da Academia Paraibana de Cinema, dos tr\u00eas filmes que indiquei para serem exibidos naquele ano, como era de costume, apenas um deles foi selecionado: <em>O Baile<\/em> de Ettore Scola, com o compromisso de coment\u00e1-lo depois, quando na noite de sua exibi\u00e7\u00e3o. Os outros dois ponderamos em raz\u00e3o de suas metragens longas de mais de duas horas de dura\u00e7\u00e3o, cada. E que ainda me lembre, um deles foi <em>Moulin Rouge<\/em> com a bela Nicole Kidman, filme premiado naquele ano com um Oscar de Melhor Dire\u00e7\u00e3o de Arte, com uma trilha sonora encantadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois bem, hoje revendo alfarr\u00e1bios encontro o DVD de <em>O Baile<\/em>, obra franco-italiana simb\u00f3lica, sobre Paris ocupada pelo Nazismo, e que, vez mais, reacende minha admira\u00e7\u00e3o pelo cinema europeu e pelas produ\u00e7\u00f5es que retratam suas hist\u00f3rias e \u00e9pocas.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes mesmo de sua exibi\u00e7\u00e3o naquela noite de quinta-feira, para uma admir\u00e1vel, fiel e curiosa plateia, como era de costume nas sess\u00f5es do cineclube da FCJA, fiz algumas observa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas sobre o filme <em>O Baile <\/em>de Ettore Scola. Elenquei, ent\u00e3o, alguns pontos de sua narrativa diferenciada: <em>O Baile<\/em> \u00e9 um filme burlesco. Ris\u00edvel do ponto de vista da atua\u00e7\u00e3o de seus personagens. \u00c9 uma obra para se ver desarmado de preconceitos, mas com uma boa dose de conhecimento cultural, social e pol\u00edtico, para que se possa ler nas suas entrelinhas alguns instantes graves da hist\u00f3ria da Fran\u00e7a, sobretudo, entre 1935 com vitorioso movimento da Frente Popular (<em>Front Populaire<\/em>) at\u00e9 1938, e anos seguintes, passando pela modernidade dos anos 80, das \u201cdiscotheques\u201d, quando surge a chamada p\u00f3s-modernidade, culminando com a queda do Muro de Berlim em 1989.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro dado simb\u00f3lico: <em>O Baile<\/em> inicia com uma ode aos prim\u00f3rdios do pr\u00f3prio cinema. Os tipos s\u00e3o ex\u00f3ticos e nas comunica\u00e7\u00f5es entre personagens inexistem falas e di\u00e1logos sonoros; prevalece a m\u00edmica (ou, \u201cpantomima\u201d, na linguagem cinematogr\u00e1fica), uma caracter\u00edstica do cinema \u201cmudo\u201d. Os tipos s\u00e3o mostrados discretamente, como o <em>barman <\/em>(lembrando a postura do ator ingl\u00eas Peter Seller) ou, ainda, o <em>gar\u00e7om <\/em>lembrando Chaplin em um de seus filmes. <em>O Baile<\/em> valoriza a <em>mise en sc\u00e8ne<\/em> \u2013 existe uma \u201cencena\u00e7\u00e3o\u201d marcada de exageros, quase buf\u00e3o, na postura dos personagens. O exotismo transcende os modos normais de ser, passando do teatral ao caricato, num mundo meramente de esquisitices&#8230;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As vaidades humanas s\u00e3o real\u00e7adas tamb\u00e9m no filme. Sob forte apelo musical de uma Orquestra de Baile(t\u00edpica da \u00e9poca), a cena se abre no sal\u00e3o de dan\u00e7as ainda vazio, com as mulheres chegando, uma a uma, anunciando-se em gestual inusitado, com manias bem pessoais. Ap\u00f3s isso, ao som de <em>Et maintenant<\/em>, agora as figuras masculinas entram em cena. Cada uma com sua, tamb\u00e9m, performance. A C\u00e2mera ganha vida no filme, passando a ser o principal observador dos v\u00e1rios trejeitos e comportamentos. Um dado: a cena inicial da mulher retocando o rosto e o cabelo muito pr\u00f3ximo da lente da c\u00e2mera, como se fora um espelho de sua vaidade, \u00e9 bastante sintom\u00e1tica. O filme \u00e9 cheio de signos visuais e auditivos. Os olhares entre os personagens s\u00e3o express\u00f5es que dizem o que querem, sem a necessidade das palavras em si. A \u00e9poca \u00e9 das liberdades sexuais no Ocidente, mormente na Fran\u00e7a, entre 1960 e 1970, e vista na cena em que o casal troca de <em>toilette<\/em>, enquanto dan\u00e7am. Isso mostrado de forma arguciosa pelo recurso gramatical da <em>elipse<\/em>, estando presente na narrativa do filme e sendo atrav\u00e9s dela que as mudan\u00e7as de \u00e9poca acontecem no ambiente do mesmo sal\u00e3o de baile, nas m\u00fasicas e vestimentas dos personagens. Tudo traduzindo uma Paris ocupada pelo nazismo. Um belo filme que recomendo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">AruandaFest ser\u00e1 agora em dezembro<\/span><\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A Academia Paraibana de Cinema (APC) se congratula mais uma vez com a organiza\u00e7\u00e3o do Festival Aruanda do Audiovisual Brasileiro, que tem na sua dire\u00e7\u00e3o um de seus acad\u00eamicos, o professor L\u00facio Vilar, cadeira 24 da APC, cujo Patrono \u00e9 o cin\u00e9filo Rodrigo Rocha.<\/p>\n\n\n\n<p>O certame, que acontecer\u00e1 de 9 a 15 de dezembro, em Jo\u00e3o Pessoa, tem como locais de sua realiza\u00e7\u00e3o uma das salas de cinema do Mana\u00edra Shopping, no Espa\u00e7o Cultural Z\u00e9 Lins do Rego, tamb\u00e9m em modo virtual. Na semana passada foram indicados oito curtas-metragens paraibanos \u2013 um anima\u00e7\u00e3o, outro document\u00e1rio e seis audiovisuais de fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Continuo afian\u00e7ando que o cinema europeu sempre foi a minha escola. Pelo enfoque de quase pureza humana em suas evoca\u00e7\u00f5es tem\u00e1ticas, quer sejam essas hist\u00f3ricas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":392,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"slim_seo":{"title":"Um grande \u201cBaile\u201d de \u00e9poca que o cinema soube revelar - Coisas de Cinema","description":"Continuo afian\u00e7ando que o cinema europeu sempre foi a minha escola. 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