{"id":377,"date":"2021-10-30T12:00:00","date_gmt":"2021-10-30T15:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/?p=377"},"modified":"2021-10-28T10:32:38","modified_gmt":"2021-10-28T13:32:38","slug":"lembro-do-meu-primeiro-encanto-de-luz-e-sombras-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/2021\/10\/30\/lembro-do-meu-primeiro-encanto-de-luz-e-sombras-2\/","title":{"rendered":"Lembro do meu primeiro encanto de luz e sombras"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"702\" height=\"514\" src=\"http:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Glenn-Ford-e-Ida-Lupino-em-Escravos-da-Ambicao..jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-378\" srcset=\"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Glenn-Ford-e-Ida-Lupino-em-Escravos-da-Ambicao..jpg 702w, https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Glenn-Ford-e-Ida-Lupino-em-Escravos-da-Ambicao.-300x220.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 702px) 100vw, 702px\" \/><figcaption><em>Foto: Glenn Ford e Ida Lupino em Escravos da Ambi\u00e7\u00e3o. <\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Evocando o grande Fellini, em sua express\u00e3o \u201camarcord\u201d (<em>io me ricordo<\/em>), traduzindo em bom portugu\u00eas \u201ceu lembro\u201d, digo hoje de quando, \u00e0 espera de um tempo de luz contido na a\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica de um filme, ter\u00e1 sido o mais importante momento de meu fasc\u00ednio; sobretudo, do meu encantamento pelo ent\u00e3o iluminado \u00e9cran, originando uma das minhas paix\u00f5es pelo mundo da S\u00e9tima Arte. Teria eu, se n\u00e3o me engano, sete anos de idade. E essa foi uma imagem que jamais esqueci&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Sentado na primeira fila das cadeiras de taliscas, no cinema do meu pai, com o f\u00f4lego preso e de olhos vidrados na tela, sob um \u00e9cran em preto &amp; branco e 16 mm que voava sobre minha cabe\u00e7a, indo espraiar-se na alva tela logo adiante, a expectativa era sobre o instante exato da passagem da lua por detr\u00e1s da rocha, at\u00e9 enquadrar-se perfeitamente na fresta da pedra furada, enfim, projetando um cone de luz \u00e0 dist\u00e2ncia, revelando o ponto exato na colina onde estaria o ouro enterrado havia v\u00e1rios anos pelos Apaches. Tanto eu como o personagem vivido por Glenn Ford (o holand\u00eas Jacob Dutch Walz), naquele momento, sent\u00edamo-nos \u201cescravos\u201d de uma mesma ambi\u00e7\u00e3o: a revela\u00e7\u00e3o do grande tesouro!<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ter\u00e1 sido f\u00e1cil conter a alegria, juntamente com toda uma molecada que assistia ao faroeste junto comigo, ao partilhar com o personagem Jacob Walz a descoberta do grande mist\u00e9rio. A expectativa daquela sequ\u00eancia narrativa jamais fugiu de minha mente. Talvez por isso tenha buscado durante anos um reencontro com esse t\u00e3o delirante \u201cmilagre cinematogr\u00e1fico\u201d: tempo, espa\u00e7o e luz!<\/p>\n\n\n\n<p>Doze anos mais tarde \u00e0quele encanto, j\u00e1 adulto, tivera a decep\u00e7\u00e3o de saber que \u201cEscravos da Ambi\u00e7\u00e3o\u201d j\u00e1 n\u00e3o mais existia. No primeiro momento, buscando como op\u00e7\u00e3o de programa\u00e7\u00e3o para os cinemas do meu pai, em Santa Rita, junto \u00e0s companhias distribuidoras de filmes em Recife. Depois, por ter esquecido o t\u00edtulo original, fixando-me apenas em lapsos de mem\u00f3rias, que nada, ou quase nada me diziam sobre a exist\u00eancia do filme.<\/p>\n\n\n\n<p>Novamente, busco Fellini: \u201cCinema \u00e9 Luz!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em agosto de 2006, ironicamente, com a not\u00edcia de sua morte em Beverly Hills, nos Estados Unidos, o pr\u00f3prio Glenn Ford me daria uma pista de como encontrar<em> Lust for Gold<\/em> (ou \u201cEscravos da Ambi\u00e7\u00e3o\u201d, t\u00edtulo recebido no Brasil, sob a triste categoria de <em>Western<\/em> classe \u201cC\u201d). Isso, dentro de uma extensa filmografia de mais de duzentos filmes realizados pelo ator, considerado um dos verdadeiros \u00edcones da ind\u00fastria de faroestes do cinema de Hollywood.<\/p>\n\n\n\n<p>O mito da bofetada, que conseguiu sofrer e consagr\u00e1-lo junto \u00e0 tempestuosa Rita Hayworth, no filme &#8220;Gilda&#8221;, ter\u00e1 sido ainda o seu grande trunfo ao sucesso e prefer\u00eancia dos espectadores de cinema do mundo todo. Outra verdade \u00e9 que, a exemplo de sua morte, em casa, antes ele encenou um de seus maiores infartos no cinema, vivendo o pai adotivo do famoso Super-Homem (Christopher Reeve), em 1977, que tamb\u00e9m j\u00e1 se foi desse para um outro plano. Enfim, h\u00e1 algum tempo mais uma vez senti, surpreso, as estilhas de cinema, rebobinando minhas mem\u00f3rias sobre o carinhoso gesto de meu filho Alexandre em presentear-me com uma mera c\u00f3pia, em DVD, de \u201cEscravos da Ambi\u00e7\u00e3o\u201d. Melhor dizendo, <em>Lust for Gold<\/em>. Mem\u00f3rias assim, gente, marcam para sempre toda uma vida&#8230;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">APC: Vida e obra de seu Patrono<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p>Academia Paraibana de Cinema (APC) \u2013 Cadeira 49, Patrono: Escritor <strong>Adalberto Barreto <\/strong>(Ocupante: fot\u00f3grafo Jo\u00e3o Carlos Beltr\u00e3o). Como autor, Adalberto teve um de seus contos transformado no curta-metragem \u201cUma Aventura Capitalista\u201d, dire\u00e7\u00e3o Antonio Barreto Neto (Patrono Cad. 18-APC), curta realizado em 16mm, preto e branco. Jornalista, Adalberto presidiu a Associa\u00e7\u00e3o Paraibana de Imprensa durante dois mandatos, no conturbado ano de 1964. Foi diretor da R\u00e1dio Tabajara duas vezes e trabalhou na Sudene.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Depois de quase trinta anos sem&nbsp;publicar livros, lan\u00e7ou \u201cA Cidade dos loucos\u201d, pela editora \u201cPersona\u201d.&nbsp;Nele, est\u00e3o&nbsp;reunidos 30 contos sobre temas que v\u00e3o do ruralismo \u00e0 fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Adalberto Barreto morreu em 2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Evocando o grande Fellini, em sua express\u00e3o \u201camarcord\u201d (io me ricordo), traduzindo em bom portugu\u00eas \u201ceu lembro\u201d, digo hoje de quando, \u00e0 espera de um&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":378,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"slim_seo":{"title":"Lembro do meu primeiro encanto de luz e sombras - Coisas de Cinema","description":"Evocando o grande Fellini, em sua express\u00e3o \u201camarcord\u201d ( io me ricordo ), traduzindo em bom portugu\u00eas \u201ceu lembro\u201d, digo hoje de quando, \u00e0 espera de um tempo de"},"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-377","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","yosemite-has-thumbnail"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Glenn-Ford-e-Ida-Lupino-em-Escravos-da-Ambicao..jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/377","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=377"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/377\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":379,"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/377\/revisions\/379"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/378"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=377"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=377"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=377"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}