{"id":129,"date":"2020-09-20T14:39:32","date_gmt":"2020-09-20T17:39:32","guid":{"rendered":"http:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/?p=129"},"modified":"2020-09-20T14:39:33","modified_gmt":"2020-09-20T17:39:33","slug":"uma-estetica-da-escuridao-que-nos-remeteu-ao-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/2020\/09\/20\/uma-estetica-da-escuridao-que-nos-remeteu-ao-cinema\/","title":{"rendered":"Uma \u201cest\u00e9tica\u201d da escurid\u00e3o que nos remeteu ao cinema"},"content":{"rendered":"\n<p>Lendo recentemente uma mat\u00e9ria do amigo Guilherme Cabral, em entrevista com o escritor paraibano Wellington Pereira, parceiro nosso da UFPB, sobre a sua mais nova antologia de contos \u201cO Voo Noturno do Pintarroxo\u201d, alguns pontos citados pelo autor em <em>interview<\/em> balizaram meu interesse pelo conte\u00fado da obra.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Primeiro, no que se refere ao t\u00edtulo de um dos contos, o que me levou a lembrar de um filme que vi h\u00e1 mais de quinze anos, intitulado \u201cA Sombra e a Escurid\u00e3o\u201d, cuja a\u00e7\u00e3o se passa na \u00c1frica com o ator Michael Douglas. E segundo, sobre um trabalho acad\u00eamico apresentado na UFRN, que tive acesso, sob t\u00edtulo \u201cA beleza na escurid\u00e3o\u201d, e que trata de uma mulher com defici\u00eancia visual lidando com produtos de beleza.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito ao t\u00edtulo de um dos contos de Wellington \u2013 \u201cA Est\u00e9tica da Escurid\u00e3o\u201d \u2013, justo o que abre seu livro, em que o autor imprime uma met\u00e1fora (assim como o fez ao \u201cpintarroxo\u201d), trata-se de uma \u201cest\u00e9tica vivencial\u201d, de um olhar social, mas sem o devido compromisso aos ditames visuais comuns \u00e0 verdadeira imagem enquanto harmonia f\u00edsica de formas e cores.<\/p>\n\n\n\n<p>Associando essa tal \u201cescurid\u00e3o\u201d de que prop\u00f5e o autor \u00e0 real falta de luz, o feito nos conduz imediatamente ao processo de \u201cluz e sombras\u201d, fen\u00f4meno esse que sempre nos premiou a fotografia e o cinema. Em ambos segmentos, o escuro (falta de luz) tem um significado \u201cvisual\u201d simb\u00f3lico. Uma imagem \u201cnoir\u201d, onde predomina o escuro, sempre foi expressiva como linguagem no cinema. O que dizer, ent\u00e3o, de uma cena totalmente escura, mas com uma voz dieg\u00e9tica impondo ao espectador maior aten\u00e7\u00e3o e leitura sobre ela? Essa \u201cest\u00e9tica\u201d sem luz alguma faz parte tamb\u00e9m de um poss\u00edvel discurso visual narrativo cinematogr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p>A outra quest\u00e3o que enfatizo na entrevista de Wellington Pereira \u00e9 das rela\u00e7\u00f5es entre o conto, \u201cuma pe\u00e7a de jazz e um curta-metragem de cinema\u201d. Segundo disse, nessas cria\u00e7\u00f5es \u201c\u00c9 preciso manter o foco, que n\u00e3o pode ser m\u00faltiplo&#8230;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o em raz\u00e3o da m\u00fasica, do jazz, que n\u00e3o \u00e9 da minha aptid\u00e3o criativa, mas quanto ao curta-metragem, esse que me diz respeito, estou de acordo com o autor no que se refere a ser uma cria\u00e7\u00e3o mais \u201cmental\u201d e tamb\u00e9m bem focada. S\u00f3 que, no caso espec\u00edfico da cinematografia esses valores criativos s\u00e3o diferenciados, quando se trata de curta-metragem ou longa-metragem, sob as especificidades documentais e ficcionais. A obra ficcional no cinema exige uma narrativa de come\u00e7o-meio-fim em raz\u00e3o de um ou mais personagens e seus conflitos. No document\u00e1rio, essa narrativa \u00e9 mero registro de fatos, que podem at\u00e9 envolver personagens&#8230; Ali\u00e1s, s\u00e3o temas que devem demandar mais reflex\u00f5es e estudos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entendo que, tanto a fic\u00e7\u00e3o como o document\u00e1rio, sejam esses de curta ou longa dura\u00e7\u00e3o, ambos t\u00eam seus tempos e espa\u00e7os reflexivos a serem demarcados. No caso da constru\u00e7\u00e3o ficcional mais ainda, por se tratar de um argumento em base liter\u00e1ria, portanto, a partir de um folhetim ou coisa que o valha. Nesse caso \u00e9 imperativo um verdadeiro padr\u00e3o laborativo, capital exig\u00eancia na constru\u00e7\u00e3o do audiovisual. Quanto ao projeto de perfil do autor no Facebook, citado em <em>interview<\/em>, \u201cVoltaire e as Quatro Esta\u00e7\u00f5es\u201d, n\u00e3o o conhe\u00e7o ainda. Ter\u00e1 alguma conex\u00e3o com o fil\u00f3sofo iluminista Voltaire, a quem fiz refer\u00eancia em recente artigo sobre suas influ\u00eancias na Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, tamb\u00e9m se as \u201cquatro esta\u00e7\u00f5es\u201d teriam a ver com a famosa pe\u00e7a musical de Vivaldi? Ali\u00e1s, pelo que vejo nesse t\u00edtulo, talvez n\u00e3o seja coincid\u00eancia a conex\u00e3o peculiar franco-italiana dos \u201cVVs\u201d. Enfim, parab\u00e9ns acad\u00eamico parceiro pela sua obra; a qual aguardo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">Fanpage APC: NOTA<\/span><\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Administradora da Fanpage APC-Group, fiel \u00e0s normas que regem a pr\u00f3pria Academia Paraibana de Cinema (APC), agradece aos seus mais de 300 seguidores, mas comunica n\u00e3o ser permitida a divulga\u00e7\u00e3o de quaisquer informes que n\u00e3o sejam sobre Cinema &#8211; livros publicados, artigos, informes, notas, fotos, v\u00eddeos sobre filmes. Doravante, a inobserv\u00e2ncia a esse princ\u00edpio, o integrante ter\u00e1 cancelada, sumariamente, a sua participa\u00e7\u00e3o no grupo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/groups\/AcademiaParaibanadeCinema\/\">https:\/\/www.facebook.com\/groups\/AcademiaParaibanadeCinema\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lendo recentemente uma mat\u00e9ria do amigo Guilherme Cabral, em entrevista com o escritor paraibano Wellington Pereira, parceiro nosso da UFPB, sobre a sua mais nova&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"slim_seo":{"title":"Uma \u201cest\u00e9tica\u201d da escurid\u00e3o que nos remeteu ao cinema - Coisas de Cinema","description":"Lendo recentemente uma mat\u00e9ria do amigo Guilherme Cabral, em entrevista com o escritor paraibano Wellington Pereira, parceiro nosso da UFPB, sobre a sua mais no"},"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[45,44],"class_list":["post-129","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-livro","tag-wellington-pereira"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=129"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":131,"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129\/revisions\/131"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=129"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=129"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alexsantos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=129"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}