Formação em cinema francês já existiu na Paraíba

Foto: Cineastas Alex Santos e Rogério Sganzerla, durante as gravações de Vila de Independência.

Sempre fui partidário de que todo incremento de recursos, não apenas financeiro, na produção do Audiovisual (advirto: audiovisual) é válido. Pois, é a partir dele que pode existir, de fato, uma forma de se galgar os primeiros ganhos de conhecimento a uma possível realização cinematográfica. Levando em conta que, nem todo audiovisual é Cinema.

Recente matéria publicada no jornal A União, um dos representantes da Funjope afirmou que, “Nós vamos focar num projeto de formação, trazendo profissionais franceses para dar oficinas e cursos de capacitação…” E ainda foi mais longe, completando: “… sequência, vamos trabalhar numa perspectiva de projetar os nossos produtos cinematográficos (sic) para a França”.

Rigorosamente, esse é um tipo de discurso de empolgação sobre aquilo que se desconhece. Vejo que se trata de uma ação, de uma política de cultura válida, no entanto, bom frisar, de uma perspectiva que visa mais um sentido de parceria turística que, propriamente, de Produção Cinematográfica.

Ora, buscando-se realmente a concepção do que seja uma experiência em audiovisual, e não em cinema, como querem alguns, o fundamento formal desse prática está no dispositivo legal que rege a atividade audiovisual, que é o próprio Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Trata-se, conforme prevê a lei, “O Fundo Setorial do Audiovisual é uma categoria específica do Fundo Nacional da Cultura, destinada ao desenvolvimento da indústria audiovisual (o crivo é nosso) no Brasil. Foi instituído pela Lei 11.437, de 2006”.

Então, como bem se deduz, pela abrangência do que representa o termo “indústria audiovisual”, implicitamente o cinema poderia estar inserido no contexto desse instrumento legal. Se bem que, a atividade cinematográfica, propriamente dita, somente deve existir sob as reais condições de Produção e de Mercado. O que quer dizer, sob a Realização, Distribuição, Comercialização e Exibição. O contrário seria mera experiência em audiovisual e estaria distante do que é, realmente, Cinema.

Esta não é a primeira vez que se buscam respaldos franceses à formação de futuros realizadores de audiovisuais. Lembro que, ao criarmos o Núcleo de Documentação Cinematográfica – Nudoc/UFPB (Portaria R/GR n° 024/80), no finalzinho da gestão do reitor Lynaldo Cavalcante, eu, João Maurício de Lima, na época Coordenador da PRAC, Pedro Santos e Manoel Clemente, foi feita uma parceria destinada ao “Ateliers Varan”, uma escola documental sediada em Paris, que atuava por meio de suas embaixadas em alguns países. Só que, àquela época, o lema era: “Cinema Direto”, dada a febre da bitola Super-8. O que, aqui na Paraíba, essa já era realmente a nossa prática documental; a de um trabalho focado diretamente na possível realidade de alguns fatos.

Dessa época, lembro estar realizando com a parceria do cineasta Rogério Sganzerla, em Guarabira, o documentário-ficção Vila de Independência, com filmagens em Super-8, num processo de reconstituição histórica do lugar. A rotulada tentativa atual de se querer “fazer cinema”, buscando o selo francês como respaldo a uma formação profissional, conforme foi dito agora, vejo-a confusa, ambígua, mas positiva. Quiçá, surjam daí mais alguns nomes importantes para o futuro audiovisual… Até mesmo para cinema.


FestAruanda vai homenagear acadêmicos da APC

O patrono da Academia Paraibana de Cinema Jurandy Moura (Cadeira 15) e o ocupante da cadeira 40, Eliézer Rolim, falecido recentemente, serão homenageados este ano dentro do FestAruanda. A informação foi dada pelo organizador do evento, o também acadêmico Lúcio Vilar.

Segundo Vilar, as inscrições para o próximo “Aruanda” festival já estão abertas, podendo ser feitas através do site do evento, que acontecerá início de dezembro (01 a 07) deste ano.

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