A Paraíba perde um ilustre nome do rádio e do cinema

Foto: Presidente da APC, Moacir Barbosa, na inauguração da Sala Barreto Neto.

Ele sempre foi de poucas palavras e muita ação. O verbalismo jamais foi a sua prática, embora aplicado e preciso no que sempre realizava. Respeitoso, em todas as suas situações. Mutuamente, era como se fossemos irmãos. Nos conhecemos, como se diz, “nas ondas do rádio” de uma emissora recém-inaugurada no Ponto de Cem Reis, a Correio da Paraíba, no ano de 1969. Como discotecário da emissora, foi o programador musical e de cinema, do nosso programa “Curta-Metragem”, sempre ao final de cada manhã, e “Cine Projeção”, aos domingos, na então emissora de rádio.

Não durou muito para que a nossa amizade se estendesse ainda mais, não só em razão da empatia que sempre existiu entre nossas famílias, mais ainda, pelo trabalho que sempre realizamos, conjuntamente – no jornalismo, na cátedra universitária, na literatura e no cinema.

Seu nome, Moacir Barbosa de Sousa, professor universitário, escritor e doutor em Ciências da Comunicação, nos segmentos de Rádio e Televisão, pela Universidade de São Paulo, em 2000, com sua tese sobre “Evolução do rádio paraibano”.  Destacado pesquisador da história da mídia radiofônica, com ênfase nas tecnologias e indústria fonográfica, e da história do cinema. Foi Coordenador de Cursos de Comunicação nas Universidades Federais do Acre, da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Publicou e organizou as edições: “Do gramofone ao satélite – evolução do rádio paraibano” e “Dicionário de rádio e som”. Escreveu capítulos de livros publicados: “Rádios comunitárias: a luz no final do túnel?”, “Primeiras transmissões de rádio na Paraíba” e “O tamanho do fosso: a distância entre o mercado e a academia”. Redigiu, ainda, textos para jornais de notícias e revistas: “A história curiosa do rádio”.

Durante sua presidência na Academia Paraibana de Cinema, ocupando a Cadeira 7, cujo patrono é Lourenço Fonseca (Capiba), sua gestão sempre admirada pelos seus pares. Organizou formalmente a entidade, sendo um dos idealizadores para a criação da Sala “Antônio Barreto Neto”, a qual inaugurou durante a sua direção, no âmbito da APC.

Na produção de cinema, participou como técnico sonoplasta e ator dos nossos documentários paraibanos O Coqueiro (1969) e Parahyba, realizado durante as celebrações do Quarto Centenário, em 1985, ambos premiados nacionalmente. E, recentemente, Antomarchi, Américo–Falcão Peregrino, e Poltrona Rasgada, supervisionando as trilhas sonoras dos três audiovisuais.

Atualmente, encontrava-se recolhido com a família na cidade de Lucena, na Paraíba, praticando o que mais gostava: sua costumeira reserva pessoal, as leituras, seus escritos e também o culto ao bom cinema. Um cinema do qual participou tantas vezes comigo, ativamente, havia algum tempo. Saudades, meu amigo-irmão! Nossas condolências à toda família.


APC: NOTA DE CONDOLÊNCIAS

A Academia Paraibana de Cinema, na pessoa de sua presidente e atriz Zezita Matos, em nome da diretoria e demais membros, lamenta a morte do professor Moacir Barbosa de Sousa, ocupante da Cadeira 7 e ex-presidente da APC (Patrono o musicista paraibano Lourenço Fonseca/Capiba). Intelectual de reconhecido trabalho, com vários livros publicados, doutor pela Universidade de São Paulo, na área de Rádio e Televisão, Moacir foi partícipe e incentivador dos movimentos cinematográficos e culturais da Paraíba. Seu falecimento, nessa terça feira (10 de maio), deixa um enorme vazio e muitas saudades aos seus pares da Academia Paraibana de Cinema, que expressa suas condolências à toda família.

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