Zé Américo no cinema: as “janelas” que lhe faltaram

Foto: Escritor José Américo de Almeida.

Usando de um aforismo que não me é autoral, mas bem conhecido na praça, diria que, “Ver bem não é ver tudo: é ver o que os outros não veem”.

Abrindo-se as muitas janelas da história – e não apenas as impressas em letras de fôrma –, possível é se conhecer (até se entender) da personalidade existencial e criativa de alguns renomados escritores. Tanto pela obra que escreveu, como pela verve que usou, particularmente. Mas nem sempre essas tais “janelas” nos premeiam com aquele conjunto ideal, imperioso, que sempre fez jus o nobre representado. E sobre quem se necessita realmente conhecer ainda mais…

Lendo um bem diagramado conjunto de textos publicados em livro, pelo jornal A União, sobre um dos nossos mais insignes escritores, de repercussão nacional e até internacional, senti um estranho vazio em seu conteúdo. Percebi a ausência de pormenorizado segmento que, logo a partir dos anos cinquenta, muito contribuiu para a notoriedade do homem público que foi José Américo de Almeida – o Cinema.

Ao constatar tal fato, chegam-me indagações várias. Uma delas: a Sétima Arte é merecedora da notoriedade literária do insigne autor de A Bagaceira? Ou, será que o próprio cinema não olvidou de várias outras obras do escritor, a exemplo de Coiteiros, outro romance seu altamente cenográfico? Questões assim nos trazem carências de algumas verdades, de que existem “janelas” que ainda não foram abertas sobre o criador de “Antes que me esqueça”.

Mesmo que a coletânea de textos publicados no jornal A União tenha como referência o período de 2020-2022, mesmo assim, uma omissão vem de ser constatada no saltério, que é a participação americista no cinema. Isso, se levarmos em conta o quanto ele foi de importante para a implantação do Instituto de Cinema Educativo da Paraíba; depois, simplesmente nominado Cinema Educativo, sob o comando de seu servidor e fotógrafo João Córdula, indicado pelo próprio Zé Américo, quando governador da Paraíba. Esse, um singular dado histórico que deveria ter sido relatado, mas que em Janelas da História algumas ficaram entreabertas. Apesar de uma referência, en passant, feita por Astenio Fernandes no texto “José Américo: o termo de uma lenda”, em que faz alusão, inclusive com justiça, às observações do médico Manoel Jaime Xavier, autor de livros e audiovisuais sobre a cidade de João Pessoa. Amigo Jaime defende que, a existência do Cinema Educativo gerou a evolução do nosso documentarismo. Daí a razão plausível de sempre estarmos juntos, na criação de trabalhos na área do memorialismo cultural de nossa Capital.   

Muito notório ainda, foi o desagrado do autor de A Bagaceira no cinema. Travestida de Soledade, o diretor Paulo Thiago teve que pedir vênias ao autor para a mudança do título. Isso gerou um debate…! E certa vez conversando com Lurdinha Luna (madrinha de meu filho Alexandre), sobre o entrevero gerado, disse-me ela da insatisfação que foi o tal episódio para o escritor.

Quando realizei o curta-metragem Cinema Inacabado, em 1980, apoiado pela Cinética Filmes, para celebrar os cinquenta anos do Cinema Educativo criado por Zé Américo, fiz questão de rebobina o episódio sobre a produção do filme Soledade (A bagaceira). Filmado em 16mm/cores, Cinema Inacabado cita o ocorrido, que algum tempo foi alardeado na imprensa local e nacional. Nosso curta está no link – https://www.youtube.com/watch?v=m-MlvdxvKSM.


APC celebra parceria com FCJA e seu Cinema de Arte

A Academia Paraibana de Cinema, presidida pela atriz Zezita Matos, relembra que, neste mês de abril, em 2014, tomava posse na presidência da Fundação Casa de José Américo um de seus integrantes, o professor Damião Ramos Cavalcanti, cadeira 5 da APC, cujo Patrono é Virgínius da Gama e Melo.

Uma das medidas imediatas do novo gestor da FCJA, que já acolhera a sede Academia Paraibana de Cinema numa de suas salas, foi a criação do Conselho de seu Cinema de Arte. Que passaria a orientar as sessões de filmes em seu Auditório, sempre às primeiras quintas-feiras de cada mês, à noite. O conselho foi presidido pelo próprio Damião Ramos, e formado por Rejane Mayer e Assis Vilar, ambos da FCJA; também pelo escritor Manoel Jaime Xavier, o cineasta Alex Santos, Wills Leal e o crítico de cinema João Batista de Brito, esses da Academia Paraibana de Cinema.

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