Cinema e literatura sobre os conflitos no leste europeu

Foto: Ator James Norton faz o papel do jornalista Gareth Jones, perseguido na Rússia.

Mesmo estando do outro lado do mundo, como se costuma dizer, hoje mais do que nunca nos sentimos muito próximos dos conflitos de guerra que estão acontecendo no leste europeu. Isso, graças às comunicações ágeis que dispomos no momento, sobretudo, a Internet. Mas ainda existem outras boas razões que nos levam a conhecer aqueles mundos, se consigo bem mentalizar, que são o cinema e as leituras de obras que versam sobre os bastidores desses conflitos, também a existência dos comitês de espionagens criados durante a chamada Guerra Fria. 

Pois bem, estamos falando de um “komitet” de investigação (a KGB), que foi criado em meados da década de cinquenta, quase dez anos após a Segunda Grande Guerra, funcionando por quarenta anos no regime da União Soviética, quando essa passa a ser Rússia. Uma KGP que teve, inclusive, a participação do atual presidente Vladimir Putin como um de seus espiões e informantes, no sistema socialista.

Impactado com o que vem acontecendo na Ucrânia, recorro ao livro e ao cinema. Busco entender melhor os motivos desse visceral constrangimento russo sobre os ucranianos. E logo me saltam aos olhos temas famosos como os da KGB, setor de inteligência russa que funcionava no centro de Moscou, notabilizando um de seus agentes, Oleg Gordievsky. Para alguns escritores, “um dos episódios mais extraordinários da espionagem internacional”.

Lendo-se O Espião e o Traidor de Bem Macintyre, um calhamaço de mais de quatrocentas páginas, nada mais admissível para se entende um pouco desse emaranhado de conflitos europeus, que vêm muito antes da criação da KGB. Uma obra que se insere em muitas outras do autor americano, com uma particular abordagem sobre temas não-ficcionais. Um prato cheio para uma literatura semelhante à de Ian Fleming (e seus “espiões que vieram do frio”), explorada pelo cinema e seus caricatos 007.

E por falar em cinema, espionagem, também em conflitos armados europeus, nada melhor do que assistir ao inusitado A Sombra de Stalin, da diretora polonesa Agnieszka Holland. Uma obra que nos traz a certeza de que a Ucrânia sempre foi a “pedra no sapato” da União Soviética. E continua sendo para a Rússia atual, de um Putin travestido de Stalin, não mais em razão do que se cogitava naquela época, “a Ucrânia é o ouro de Stalin, porque os grãos são ouro”. Mas, pela realidade atual representada pelo potencial atômico daquele país, que não são mais a fome e o massacre de ucranianos nos campos gelados de trigos, nos tempos de Stalin.

Como todo folhetim, mesmo sob a capa que o fundamenta em “fatos reais”, A Sombra de Stalin nos traz duas importantes revelações: a primeira de que a função jornalística deve ser “pela verdade, sempre”. Doa em quem doer. E a segunda, que nos remete diretamente ao conflito atualmente vivido entre a Rússia e Ucrânia, essa, uma vizinha de grande importância bélica. O que diz respeito à Usina Nuclear de Chernobyl, em território ucraniano, mesmo fechada atualmente.

Há uma sutil semelhança entre as situações mostradas no filme, cuja ação se passa nos anos de 1930, e as de hoje. Já na época de Stalin a União Soviética usava a Cracóvia e a Ucrânia para a construção de seus arsenais de guerra – munições, blindados e aviões. E que a Rússia de Putin quer incorporar ao seu acervo bélico.Xорошо,читатель (pois bem, leitor), A Sombra de Stalin, pela Netflix, é um bom exercício de como agem os corredores da espionagem britânico-soviética e seus dúbios comitês de imprensa. Tudo a um refletir nosso sobre o atual conflito no leste europeu e as “sombras” de Stalin ainda sobre Putin. Um filme que afianço. Boa sessão!


APC discute e aprova agenda para 2022

Reunida de modo híbrido (presencial e virtual), na manhã da quarta-feira passada, a Academia Paraibana de Cinema discutiu e aprovou a agenda a ser cumprida pela instituição durante 2022. Um documento contendo as ações previstas para este ano será elaborado, para a assinatura de todos que participaram do encontro no Cine Mirabeau. Membros das diretorias e do conselho fiscal estiveram presentes, além dos que marcaram presença pelo link especial da entidade, virtualmente.

Dentre as muitas propostas discutidas, uma enfatiza a maior interação da APC com outras instituições culturais paraibanas, inclusive com os cursos de cinema e audiovisual da UFPB. Novo encontro da APC foi marcado pela presidência para ainda este mês.

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