Revendo as tradições para construir melhor o presente

Foto: Cena inicial do documentário sobre Pedro Osmar.

No final da semana passada, lendo uma matéria do parceiro de redação Guilherme Cabral em A União, sobre o compositor paraibano Pedro Osmar e o seu reconhecimento cultural pelo Poder Púbico Estadual (Lei 12.228, de fevereiro deste ano), como o multiartista que é, indiretamente, me senti duas vezes partícipe do universo cultural do artista.

No primeiro caso, ao coordenar o quarto Festival de Música da Paraíba em 1970, no Teatro Santa Rosa, a convite de Expedito Gomes da Fundação Cultural de João Pessoa, quando então formei uma Mesa Julgadora do mais alto nível, composta pelo maestro pernambucano Clóvis Pereira, à época na orquestra e no Coral Universitário da UFPB; com o regente da orquestra da Polícia Militar da Paraíba, além do professor de música Reginaldo Antonio de Oliveira, uma das expressões musicais de valor daquela época, entre outros bons nomes da música paraibana. E em sua entrevista a Guilherme, o próprio Pedro Osmar afirma ter apresentado no mesmo festival dois sambas de sua autoria: “Brasil conte comigo e Alô, alô juventude, que compus em parceria com José Carlos de Sousa e Tecla Maria de Santana, respectivamente.”

Um outro dado importante que me ligou à trajetória de Pedro Osmar, como “guerrilheiro cultural” – esse, mais recentemente – foi o da realização de um documentário sobre ele, intitulado Prá liberdade que se conquista, dirigido pelos paulistanos Eduardo Consonni e Rodrigo Marques, lançado em 2016 na Sala de Cinema do Espaço Cultural. 

 O documentário inicia com a natureza marinha (foto), culminando nela, simbolicamente. E aí, particularmente, senti-me honrado em ver as minhas imagens, que filmei em Super-8 havia mais 30 anos para o curta Misticismo – Folguedos e Tradições, sendo usadas e coroando o final do documentário de Pedro Osmar. E sobre essas imagens, uma referência elogiosa do crítico João Batista de Brito, ao publicar artigo sobre o feito, afirmando: “Um trecho todo especial é a filmagem da procissão dos pescadores, no dia de São Pedro, nas águas bravias dos mares paraibanos”.

Pois bem. Meses antes daquela tão bem concorrida exibição na Funesc recebi um telefonema de São Paulo, consultando-me da possibilidade de que algumas sequências do meu filme Misticismo – Folguedos e Tradições (1982) pudessem integrar uma outra produção nacional, que se encontrava em fase de finalização por uma produtora paulista de cinema. O documentário de longa-metragem, em questão, Pedro Osmar, Prá liberdade que se conquista, fora selecionado pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) para participar do Festival Internacional de Documentários de Amsterdã (IDFA) de uma mostra do Programa Encontros com o Cinema Brasileiro, em novembro de 2016, na Holanda. Então permiti, evidentemente, sob as garantias formais de utilização das imagens, inclusive com citação autoral, o que é de praxe.  Como se percebe, por tradição, a cultura e as artes de hoje estão sempre a dever alguma coisa aos seus congêneres.


APC reúne diretoria na próxima quarta-feira

A Academia Paraibana de Cinema, observando as formalidades de seus estatutos, deve se reunir na próxima quarta-feira (09) na Sala de Exibição do Cine Mirabeau, no Bairro do Bessa.

Do encontro, que terá caráter híbrido (presencial e virtual) serão vistos vários assuntos de interesse da instituição, como o planejamento das ações para 2022, inclusive, sobre participação da APC em vários eventos, cursos e festivais de audiovisuais, dentro e fora do Estado da Paraíba.

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