Uma ideia na cabeça e um simples celular nas mãos

Foto: “A simples gravação com câmera digital não significa fazer cinema.”

Um assunto a ser analisado em tese, não apenas pela confusão que vem sendo feita nos últimos tempos, é o de se produzir Cinema ou Audiovisual. O que nos levaria a refletir melhor sobre aquela máxima “cinemanovista” de Glauber Rocha, quando imprime a frase: “Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão”, que fora tão alardeada nos anos sessenta. Mas, a que “câmera” ele se referia?

Outro dado não menos pertinente é o de revermos a fórmula Cinética e os estudos sobre “dinâmica dos movimentos”. Rebobinemos os mecanismos reais como “cruz de malta” (ou “grifa”) e “obturador”, que dão dinâmica ao quadro-a-quadro das imagens cinematográficas, dando-lhes a tão conhecida mobilidade (narrativa visual) no cinema.

Um outro recurso dentro da Física, não muito conhecido, Cinemática (de origem grega κινημα), nos diz respeito aos movimentos dos objetos. Todo esse “cientificismo” nos leva, de imediato, à mecanicidade de uma conhecida arte que tão bem conhecemos: Cinema. A rigor, são essas as bases da Cinematografia.   

Existem fundamentos e etimologias que, por sua natureza, mesmo que se considerem algumas metonímias em curso, em sentidos mais amplos, precisam ser respeitados. E considerada por cientistas uma “geometria do movimento”, a Cinemática (proveniente que é dessa geometria), pelos valores de proposição e velocidade mecânicas, seria uma espécie de irmã siamesa do próprio Cinema.

Em livro que escrevi, resultado da tese de mestrado na UnB – publicado em 2002 com o título “Cinema e Televisão: Uma relação antropofágica” –, traço os perfis diferenciados que definem os expedientes da Linguagem em ambos os media. Especifico as verdadeiras expressões do que sejam Cinema e Televisão.

Agora somos pegos com outra questão bastante curiosa, a das expressões Cinema e Audiovisual. São propostas obviamente parecidas, enquanto recursos artísticos, no uso de imagens em movimento e de som. Embora que, a rigor, têm algumas especificidades bem particulares. Note-se que, cinema nasceu “mudo”. Mas, como Técnica e Arte, com o tempo cinema passou a abriga essencialmente o audiovisual. Então, o questionamento que se faz é o seguinte: O audiovisual, também como técnica, comporta de fato a complexidade (cinética) do cinema?

Realmente, essa a indagação que suscitaria uma séria reflexão, diante da confusão que se tem feito, havia muito tempo, desde que se tem utilizado dos recursos audiovisuais inovadores do Analógico, em início dos anos 60, advindos dos ensaios espaciais. Tecnologia mais utilizada pelos meios de comunicação a partir da década de setenta, seguida pela Digital e seus atuais megapixels e full-frames, matematicamente ilimitados...   

Retomei este assunto, em razão de algumas desavisadas expressões que existem atualmente no meio do audiovisual brasileiro; não só no paraibano. E que reflete um crasso desconhecimento terminológico, entre o que seria fazer Cinema ou Audiovisual. Mais ainda, quando hoje assistimos a uma espécie de euforia dos tantos videomakers (não cineastas), que de pires na mão, não só de seus celulares, buscam os parcos recursos dos editais de fomento à cultura audiovisualizada. Gente, é necessário se entender o que representa de fato fazer Cinema e o que é um simples registro Audiovisual; são alvitres realmente distintos… Em sala de aula, não só na UFPB, discuti tanto esse assunto com alunos, mas ainda entendo que nos carece de mais altercação. De oportuno, retornarei ao tema.


APC faz parceria com o Teatro Alfenim

A Academia Paraibana de Cinema, que ultimamente tem desenvolvido algumas parcerias com entidades da cena cultural paraibana, firmou mais uma com o grupo de teatro “Coletivo Alfenim”. O encontro foi realizado esta semana de forma híbrida, segundo a diretoria da APC, e faz parte de sua política de interação com outras formas de artes.

Informou o prof. João de Lima, ainda este mês a Academia Paraibana de Cinema reunirá formalmente sua diretoria, para retomar algumas medidas administrativas, de acordo com o previsto nos estatutos da entidade.   

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *