Fim de ano é tempo de lembrar e celebrar as “coisas de cinema”

Foto: “Cinema é mais que uma alegoria da vida em forma de arte”.

Natal e Ano Novo são festas de muita alegria. Diria até iluminadas! O que todos nós já sabemos. Iluminada, sim, na mais extensa acepção que a palavra possa simbolizar. Mesmo que, de quando em vez, no nosso livre caminhar somos pegos e agredidos por tempos difíceis, como o que hoje atravessamos.  

Mas, na verdade, o período natalino é e continua sendo mágico, inclusive para mim (eita! lá vem saudosismos…), pela infância que vivi, tendo em meus pais e tios, sobretudo em minha saudosa mãe, Dona Neném, uma espécie de culto ao “Bom Velhinho” e sua tradicional oferta de mimos natalinos. Ela que também evocava suas lembranças, chamando-as de “memórias natalinas”.

Pois bem, se é possível usar uma metáfora para exaltar toda a fantasia que vivi, quando ainda criança, declaro que foi no cinema que tudo culminou. Assim como no brilho do Natal, existem as luzes do cinema. E no meu caso em particular, foi como se fora um verdadeiro “Cinema Paradiso”, com o meu pai me encantando ainda mais com os écrans de sua “fábrica de sonhos”…

O tempo passa indelével. E aí buscamos, no presente, resgatar aquela tão famosa expressão difundida pelo próprio cinema: “Imitation of life”, um dos clássicos filmes hollywoodianos do final da década de 50, com a atriz Lana Turner, um dos mitos da época, e o canastrão John Gavin. Filme ganhador de alguns Óscares, ainda de direção para Douglas Sirk. E essa mesma “imitação da vida” é que tão bem define a natureza do próprio cinema. Pois, a sua arte é a “arte da representação” da existência humana e das coisas, em seu sentido laico – seja a partir do ficcional ou do documental.

Assim, em mais este dezembro, se é fato que, no cinema se plagia a vida (também na vida, imita-se a arte), fico a relembrar a partida daquele pioneiro da arte-do-filme, que sempre me foi tão caro – o meu pai, “Seu” Alexandre do cinema, hoje patrono e imortalizado pela sua Academia Paraibana de Cinema.

Mas, neste dezembro, para mim há também motivos de alegrias. Não só pelo “natalismo” que representa, mas porque a descendência dos Alexandre se ampliou com meus dois netinhos: Arthur e Miguel Alexandre. O primeiro com 8 anos de idade, nascido no Dia de Santa Claus, e já “cinemista” atuante. O segundo, seu primo Miguel, pelo que se nota de sua graça e esperteza, com apenas 2 anos completos neste domingo 27, deve soletrar a mesma cartilha, buscando o fascínio e luzes que só o cinema constrói ao nosso encantamento. Isso, para não falar de mais um casal de netos, já crescidos, Juninho e Lívia, igualmente motivo de minhas alegrias natalinas, também de muito amor.

Aos meus fiéis seguidores, amigos e familiares, Merry Christmas!

EM TEMPO: Amanhã (segunda-feira 28), nosso média-metragem “Poltrona Rasgada”, de 40 min. de duração, será exibido e debatido dentro da live do Fest Quipauá, mediado pelo professor João de Lima, da Academia Paraibana de Cinema, com alunos do Curso de História do Cinema da UFPB. “Poltrona Rasgada” (fiction film) tem como tema os valores urbanos cenográficos e humanos da cidade de João Pessoa dos anos 50, prestando ainda tributo ao próprio cinema.


APC recorda legado de seu patrono

Patrono da Cadeira 5 da APC, Severino Alexandre dos Santos foi um dos pioneiros do Cinema Paraibano. Residiu em Santa Rita, Paraíba, onde iniciou como projecionista aos 16 anos de idade, no Cine Independência, ainda na fase do “cinema mudo”. Na “Empresa Nordeste Filme”, da família de Walfredo Rodriguez, situada na Rua da Areia, na Capital paraibana, Severino mantinha contatos e recebia os filmes que exibia em sua cidade.

Proprietário de uma rede de salas de projeção, em Santa Rita e cidades vizinhas, seu primeiro cinema foi o São Braz, seguido do Santa Cruz, ambos construídos no final da década de 40, e exibições em 16mm e 35mm; depois foi o São João, modernamente inaugurado em 1958, no centro da cidade, e o Cinerama no vizinho distrito Várzea Nova. Todos construídos pelo próprio Severino Alexandre dos Santos – dublê de arquiteto-construtor e exibidor cinematográfico. Sua atividade foi até o início dos anos oitenta. Faleceu em dezembro de 2005 aos 91 anos de idade.

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