Um espaço de marketing que nunca foi do cinema nacional

Foto: “O recurso virtual não reflete a real importância do cinema”.

Pegando carona na “guerra dos streamings”, do parceiro Cananéa, que atualiza com novos enfoques (cyber), bem pertinentes, os nossos espaços de A União, volto a ver com muita apreensão essa coisa do produto estrangeiro ocupando cada vez mais o mercado midiático brasileiro.

Segundo noticiou, mesmo que o Disney+ tenha vindo “tardiamente ao ramo, subestimando a força do streaming”, a realidade é que o nosso produto audiovisual interno sofre mais uma paulada na nuca. Mas essa não é uma problemática da nossa atualidade. Sempre fomos refém do produto externo. Uma verdade que tenho na memória, desde os tempos em que vivenciava, cotidianamente, um mercado de exibição fílmica, que já não mais existe. E, a rigor, nem poderia existir nesses novos tempos…

Hoje, somos reféns em nossas próprias residências, por dois motivos: pela Covid-19 e pelo streaming, na sua maioria de má qualidade. Expandem-se os Netflix e outros tantos “flix” da vida, de origens que continuamos a saber de onde e a que servem. Não há uma política pública séria em defesa do nosso mercado exibidor; menos ainda, em relação às redes sociais.

Desde os tempos do glamour americano e do faroeste, que me recorde, testemunhamos essa ocupação de mercado, com as autoridades brasileiras desdenhando o produto nacional. Sempre foi o Tio Sam a dar as cartas do jogo. E essa opressão eu vivi, de fato, junto às empresas distribuidoras de filmes, em Recife/PE. Quantas vezes busquei nas listas anuais de filmes os nacionais a serem contratados; e quase não havia. Mais de oitenta por cento das indicações eram de filmes norte-americanos. O restante era de películas europeias, asiáticas e, quando muito, apenas um ou dois filmes brasileiros eram listados numa seleção dez ou mais filmes. Isso, quando conseguíamos ser “premiados” com um contrato considerado justo.

Sempre foi assim. O cinema nacional nunca teve um papel de marcado representativo, inclusive dentro do seu próprio país. Essa coisa de “Cota (ou quota) de Tela” – que acredito já não existir mais nesse governo – parece ser mesmo um óbolo disfarçante e de intenções escusas… Não sem razão que, a classe cinematográfica tem buscado mais espaços dignos; mas, apenas em festivais e encontros pertinentes.

É fato que a nossa produção cresceu e muito nos últimos tempos, graças, inclusive, à digitalização da imagem, mas não existem canchas comerciais para o seu escoamento. Até porque nunca tivemos, de fato, uma indústria de cinema no Brasil; veja no que deu a Vera Cruz e suas congêneres… Mas esse fausto hoje tão celebrado na produção tem sido em razão do empenho e de investimentos das iniciativas privadas. Porque até os editais de fomento que existiam, nessa atual política de governo, sumiram! Bem que, sinceramente, não sou muito simpático à dependência desses tais editais. Eles são “conducentes” demais para alguém que busque sua independência criativa. Daí, a probidade autoral dos nossos projetos pessoais…


APC apoia lançamentos pelo YouTube

Com apoio e selo de premiação da Academia Paraibana de Cinema, uma parceria entre a ASProd (Cinema e Vídeo) e o YouTube foi firmada, para o lançamento de dois audiovisuais paraibanos, em média-metragem, que já podem ser assistidos a partir de agora no streaming.

Para acessar, no Google, clicar: https://youtu.be/yeRUe8wHl98 para o vídeo “Antomarchi”; e para “Américo – Falcão Peregrino”, o link é esse: https://youtu.be/JhrC-5yQx3M. São audiovisuais que formam uma trilogia sobre a Cidade de João Pessoa, descrevendo episódios na urbe ocorridos em épocas passadas, e que se completa com “Poltrona Rasgada”, a ser lançado ainda este ano, também produzido pela dupla Alex Santos e Manoel Jaime Xavier, ocupantes das Cadeiras 05 e 16 da Academia, respectivamente.  

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