“O Coqueiro” nos 40 anos de seu prêmio na Sudene

Foto: Igreja da Guia, um dos marcos de Lucena, em O Coqueiro.

Precipitadamente, há quem afirme não viver de memórias. E que seria um perder de tempo ou o mesmo que regredir na vida. Não vejo dessa forma uma experiência que considero memorável, sobretudo nas artes, seja ela em que segmento for; ao contrário, entendo-a verdadeiramente importante, se examinada sob a ótica do consuetudinário, como forma de um reaprender a um novo conhecimento, para melhor afirmação do nosso modo de ser.

Como mensurar então a importância de um fato, de uma gestão atual, sem um referencial do passado? A própria Ciência reflete a importância de suas experiências com base em feitos anteriores. Isso não é ficção, não; é pura realidade.  

Hoje, celebram-se os tempos fechadinhos de alguns fatos; uns grandes, como o dos 70 anos na Televisão no Brasil, outros menores. Insiro-me nestes, em razão dos 40 anos do meu primeiro prêmio em Cinema. Produto de uma aventura de época, em duas faces: uma emocional e meramente familiar, a outra que me diz respeito às experiências de um novo cinema, então bitolado em Super-8; saga advinda de um universo telúrico e “vegetalista” – expressão essa cunhada pelo crítico Virgínio da Gama e Melo, nos velhos tempos de sua publicação “Verbo e Imagem”.

Pois bem. Foi com base nessa visão telúrico-vegetalista que, naquele outubro de 1980, mergulhei nas formas e naturezas da Praia de Lucena, na Paraíba, a partir de seu mirante simbólico (a Igreja da Guia), na realização do meu primeiro documentário de curta-metragem premiado: “O Coqueiro”. E que cairia realmente nas graças da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), concedendo-me uma honraria de “Melhor Filme sobre a Temática Nordestina”, no Festival Brasileiro de Cinema de Pernambuco. Justo, vinte anos após Celso Furtado ter fundado a instituição em Recife.

E aqui, rendo minha homenagem a um parceiro singular, incentivador e meu orientador de época, o querido amigo e professor José Cornélio da Silva (de saudosa memória), mestre em Geografia e guia dos meus primeiros anos de estudo no Grupo Escolar João Úrsulo, na cidade de Santa Rita.

Pois bem, durante muito tempo pensamos e trabalhamos juntos naquela praia paradisíaca. Tanto que, nos anos oitenta, em mais um documentário, dessa feita em tecnologia de gravação Analógica, inovadora para a época, imprimimos uma “Lucena Paradisíaca”, onde o próprio professor Cornélio se mostra lendo uma revista em preguiçosa cadeira de balanço, no alpendre de sua casa à beira-mar. Honraria que lhe presto, ainda, após o seu falecimento, gravando as cenas iniciais do “Américo – Falcão Peregrino” na sua própria biblioteca, em Lucena, com o meu também parceiro Manoel Jaime Xavier, de tantos projetos juntos, (“protagonizando” o amigo Cornélio), redigindo texto no computador sobre o poeta Américo Falcão, numa matinada de 2012. Esses, são episódios e vivências pessoais que jamais se apagam. Se não, busquem repensar os seus…


APC em novo lançamento

Academia Paraibana de Cinema, através de sua presidência e diretorias, deve promover uma apresentação, ainda este ano, do novo audiovisual em média-metragem, sobre o episódio acontecido em um dos cinemas de João Pessoa, na década de 50. Trata-se de realização da ASProd Cinema e Vídeo, ainda em fase finalização, sem título definido e com participação de vários membros da APC. A sessão deve acontecer em sala especial de projeção, no bairro do Bessa, até o final de novembro, com possibilidades de lançamento aberto ao grande público durante a programação do próximo FestAruanda.

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