Revendo “coisas de cinema” nas revelações de um autor

Foto: Historiador José Octávio de Arruda Mello.

Em uma de minhas costumeiras chegadas pela manhã à Adufpb – hoje quase nenhuma, em razão desse incomodo jubilado –, recebo da atenciosa amiga Maria da Guia o seu tradicional cumprimento de bom dia! A seguir, ela foi logo dizendo: “Professor Alex, olhe aqui a sua nova revista”. Ao que, de pronto, agradeci. E logo ali em frente, na espaçosa sala e de mesa ampla, onde tinham habituais assentos alguns companheiros docentes, como Zé Nilton, Hildeberto Barbosa e Nivalson Miranda (de saudosa memória), fiquei a ver o nosso mais novo periódico.

Tratava-se de mais um exemplar da revista “Conceitos”, publicação da Adufpb, onde, dentre os vários temas de interesse, inclusive sobre cinema, vejo texto do amigo e historiador Zé Octávio de Arruda Mello. Com o título de “Dois livros na revelação de uma realidade”, o autor abre abordagem sobre duas obras também suas, embasando uma nova argumentação política. As obras citadas eram “Da Resistência ao Poder”, que tratava do PMDB, partido político com alcances em alguns estados brasileiros, inclusive na Paraíba, entre 1965/99, e “Conflitos e Convergências nas Eleições Paraibanas”, que fazia referência a um período mais curto, de 1982 a 2006.

Mas, que relação teriam as publicações citadas com o cinema? No caso da primeira obra, à página 53 da revista “Conceitos”, Zé Octávio argumentava sobre alguns grupos ativos de resistência da “Frente de Redemocratização”, influenciados pelo partido, e suas agitações nas áreas culturais, religiosas e estudantis, inclusive na cidade de Santa Rita, a partir de 1974. Essa foi a dica que me levaria ao movimento cultural que vivi naquela cidade, juntamente com uma meia dúzia de companheiros, alguns deles já cursando Direito na UFPB, a exemplo do meu primo e ex-juiz de Itabaiana (que Zé Octávio o conheceu), Reginaldo Antonio de Oliveira, já falecido. Ele, quando estudante, até foi levado às barras da PF, enquanto nós do grupo buscávamos refúgio na Casa Paroquial, ao lado da Igreja-Matriz, para escapar da militar inquisição.

Naquele final dos anos 60, até meados de 70, muitas das nossas ações eram através das reuniões do Grupo de Estudos Sócios-Culturais (GRESC), que funcionava sob a égide da igreja local, tendo como párocos dois padres vindos da Bélgica, Paulo e Maurice Koeler, que sucederam ao Mons. Rafael de Barros. Sob um manto de religiosidade, publicávamos o jornalzinho “Os Sinos de Santa Rita”, um periódico semanal impresso em Xerox, cujo conteúdo era de pura resistência cultural e alimentado pelas ideias e sessões matinais do Cineclube Hitchcock, sempre aos domingos, em um dos cinemas de meu pai. Inclusive, numa das sessões com a exibição de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” de Glauber Rocha, fomos parar também na PF para dar explicações. Era um inferno viver cultura naqueles tempos…   Enfim, terá sido sempre assim… Mesmo não sendo “coisas de cinema”, no sentido mais estrito da arte, o amigo Zé Octávio sempre me deixa alguma fresta de luz às reflexões. Como agora, com o seu mais novo rebento em brochura que me brindou (“Arapuan e o Rádio Paraibano”), sobre o qual, oportunamente comentarei. Mais uma obra singular sobre a nossa cultura, tudo isso, graças ao dinamismo liderante do grupo “José Honório Rodrigues”, do qual tenho a honra de participar.


APC: Vida e obra de seu Patrono

Academia Paraibana de Cinema – Cadeira 33, Patrona: Nautília Mendonça (Ocupante: atriz Marcélia Cartaxo). Paraibana de Espírito Santo, PB, Nautília Carneiro de Mendonça dedicou grande parte de sua vida ao teatro paraibano. Integrou os elencos das peças “Um Sábado em 30” e “Br-230”, dentre dezenas de outros espetáculos. No cinema atuou em “Menino de Engenho”, de Walter Lima Junior, fazendo o papel da sensual Zefa do Cajá, também em “Fogo Morto”, ambos inspirados nos romances de José Lins do Rêgo. Seu falecimento se deu na plenitude de sua capacidade artística, aos 53 anos de idade.

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