“Enola Holmes”: boa opção para este início de semana

“Atriz Millie Bobby Brown em Enola Holmes”

Mesmo considerando as tantas futilidades e pirotecnias mostradas nas plataformas de streaming, não será difícil garimpar um bom cinema. É o caso do inteligente “Enola Holmes” dirigido por Harry Bradbeer, já disponível na telinha. A produção é deste ano e foi lançada pela Netflix na semana passada, trazendo no papel-título Millie Bobby Brown, talentosa atriz e produtora britânica, mas nascida em Barcelona, na Espanha.

Baseado nos contos de Nancy Springer, com uma história comum sobre a jovem inglesa que é abandonada pela mãe, o filme traz a figura clássica de um personagem emblemático da espionagem britânica, Sherlock Holmes, como sendo um irmão mais velho da jovem Enola. Não que a figura dele seja de maior impacto no filme, mas oferece contornos de sua personalidade até então não muito familiar no cinema.

E aqui, relegando disputas à parte – entre a Netflix e Arthur Conan Doyle, autor do seriado Sherlock Holmes –, o filme se concentra na jovem de 16 anos de idade (Enola), rebelde aos padrões da época. Ela é dona de suas próprias decisões, fugindo de um internato, ali posta por um outro irmão que tem sua guarda, para continuar procurando a mãe desaparecida por perseguições políticas. Corre paralelo, aí com um pouco de mistério à lá “sherlock”, o caso de um garoto herdeiro de uma grande propriedade no interior de Londres, que é perseguido de morte por um vilão feioso contratado pela conservadora e obcecada vó da criança, esta que tem na esperta Enola uma grande ajuda.

A época é do reinado Vitoriano, no final do século XIX, na Inglaterra, e a trama não explica claramente a situação política inglesa da época, até por que não é a intenção do filme; mas deixa pistas – a ligação e o ativismo da mãe de Enola com as agitações político-partidárias liberais de então, confrontando os conservadores. São demonstrações que nos levam a algumas conclusões sobre a situação e o status quo da população britânica.

Não obstante o interesse desse momento inglês, o que mais me causou espécie é de o filme trazer uma narrativa distinta e curiosa. Diferenciada no sentido da linguagem que adota, buscando sempre uma forma gramatical intrigante, de um cinema maduro na forma de contar uma história – Enola faz uma espécie de “interlocução” com a câmera (foto), como que ilustrando seus propósitos e ações em alguns momentos, definindo assim a narrativa.

Curiosamente, essa mesma narrativa sublima o próprio Cinema, numa forma de metalinguagem – a ação do filme se passa entre 1885 e começo do Século XX, em alguns momentos mostrando figuras e imagens da família de Enola em animação, além de clichês visuais com frases explicativas, como no tempo do “cinema mudo” (1895), justo, na época de nascimento da imagem em movimento, quando advém o Cinematógrafo e seus derivados. O que nos lembra muito bem o “pai” do cinema paraibano Walfredo Rodriguez… Assim, indicaria aos mais exigentes e não adeptos à mesmice a curtirem um bom cinema. “Enola Holmes” pode ser uma boa opção neste início e por toda semana.


APC: Zezita Matos em Gramado

Representando a Academia Paraibana de Cinema (APC), a presidente da entidade e atriz paraibana Zezita Matos integrou o Júri na Mostra de Curtas Gaúchos, de mais um Festival de Cinema de Gramado, que teve sua programação encerrada no final da semana passada. Zezita também teve participação como atriz no curta “Remoinho”, um dos “curtas” brasileiros inscritos no certame. Também, nesta semana, juntamente com o professor João de Lima, Zezita fez parte de uma live, quando discutiram sobre mídia   e Telenovela-Nordeste e Velho Chico.  

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