Ao acadêmico e pioneiro do cinema duplamente imortal

Pioneiro do cinema paraibano Severino Alexandre Santos
Pioneiro do cinema paraibano Severino Alexandre Santos

O 17 de setembro é uma data emocionante e representativa para mim. Antecipando-me a ela, próxima quinta-feira celebramos os cento e seis anos de nascimento de um dos pioneiros da cinematografia paraibana.

Patrono da Cadeira 05 da Academia Paraibana de Cinema – na qual hoje tenho assento, honrosamente, pelo meu pai -, SEVERINO ALEXANDRE DOS SANTOS teve sua vida toda dedicada à Sétima Arte. Não terá sido sem razão que, já aos treze anos de idade acionava a manivela de uma câmera projetora, em sessões habituais de um cinema que ainda não tinha aprendido a “falar”, mas ritmado por um garoto que já se mostrava como gente grande.

Natural da região do brejo paraibano, originário da família Gonçalves de Alagoa Grande, na Paraíba, “Seu” Alexandre do Cinema (assim conhecido desde cedo na cidade de Santa Rita, onde se casou, construiu família e viveu sempre) acompanhou de perto a evolução da cinematografia, edificando suas próprias salas de projeção. Usando ainda do seu empirismo artesanal na construção das “lanternas mágicas” (movidas à carvão), que iluminaram as sessões de seus cinemas durante anos.

Por esse mérito, a Academia Paraibana de Cinema rendeu-lhe tributo, publicando pioneiramente um livro, ressaltando passagens de sua vida e de suas experiências como exibidor não apenas em Santa Rita, mas também no distrito de Várzea Nova, onde construiu salas de projeção.

As relações comerciais de meu pai – mediadas sempre por mim – com os empresários Luciano Wanderlei da Cia. Exibidora de filmes (Municipal), com os Senhores Lemos e Valdemar, ambos da Cia. Cinemas Reunidos S/A (Plaza), ainda com as distribuidoras de filmes do Recife-PE, entre os demais do setor, sempre foram das melhores. Deles, inclusive, recebíamos respeito e apoio à programação dos nossos cinemas, sem as restrições de mercado. Não terá sido em vão a trajetória de “Seu” Alexandre, na singular história da nossa Sétima Arte, na Paraíba.

Profissional respeitoso e venerado pelos inúmeros espectadores que lhe frequentaram as salas de projeção durante décadas. Inclusive daqueles que o assistiram, profissionalmente, em suas habituais projeções, como Rubens, Assis, Elias, Alonso, Agnaldo, Cabo Zé, entre outros que ainda hoje sentem a sua partida.

Que os écrans dos nossos ruidosos projetores do passado, que tanto contribuíram com suas cadências (“muda” ou sonora) para as memórias e fantasias de muitos que ainda hoje desfrutam desse nosso “sonho iluminado” chamado cinema, continuem projetando, sempre, as imagens dessa rica saga mágica, venturosa e virtual através dos tempos. E que todo esse feito deva ser imortalizado na eterna e simbólica guarda da nossa tão querida Academia Paraibana de Cinema. Pelo que foste, construíste, pela boa marca que deixaste, descansa em quietude, meu Pai!


Informe APC: APC informa sobre o FestAruanda

Academia Paraibana de Cinema, representada pelo seu integrante e autor desta coluna dominical de A União, cineasta Alex Santos, e o jornalista Lúcio Vilar (Cadeira 24 da APC), coordenador geral do FestAruanda, firmam parceria para os informes sobre o próximo evento.

Na quinta feira passada (10), o projeto “Aruandando” da UFPB, através de “live”, confirmou que o 15º Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro será realizado entre 10 e 17 de dezembro próximo. Um dos homenageados nesta edição será o paraibano João Carlos Beltrão (Cadeira 49 da APC), diretor de fotografia, personagem central na evolução do audiovisual paraibano.

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